Últimos exemplares

26/01/2012

A primeira edição da coletânea Paraíso líquido está chegando ao fim. A edição de mil e quinhentos exemplares foi integralmente patrocinada pelo Programa de Ação Cultural (ProAC), da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Por isso os exemplares não foram comercializados. Não faria sentido vender algo que já estava mais do que pago pelo contribuinte.

Quatrocentos exemplares foram distribuídos pela Secretaria entre as bibliotecas de vários municípios do Estado. Os outros exemplares foram dados de presente aos leitores que compareceram às duas sessões de autógrafo na capital paulista.

Os últimos trinta exemplares estão aqui, ao meu lado, aguardando os últimos interessados. Se você ainda não tem um Paraíso líquido, basta enviar um envelope selado, no valor de R$ 5,00, para o endereço abaixo, que seu exemplar seguirá imediatamente, lépido e fagueiro, para suas mãos.

Luiz Bras
Rua Dr. Paulo Vieira, 166 apto 72
01257-000 – São Paulo – SP

Os melhores contos brasileiros de ficção científica

28/12/2011

Se perguntarem a escritores, professores, críticos e jornalistas do mainstream quais são os melhores contos brasileiros já publicados, nessa seleção certamente aparecerão Missa do Galo de Machado de Assis, Negrinha de Monteiro Lobato, O homem que sabia javanês de Lima Barreto, O pirotécnico Zacarias de Murilo Rubião, Feliz aniversário de Clarice Lispector, A terceira margem do rio de Guimarães Rosa, A caçada de Lygia Fagundes Telles, Uma vela para Dario de Dalton Trevisan, Feliz ano-novo de Rubem Fonseca… Os especialistas do mainstream, mesmo lidando com uma produção tão vasta, quando convidados a votar sempre chegam muito perto da unanimidade.

Então me questionei se na ficção científica brasileira também existiria algo parecido com essa unanimidade. Um cânone já consolidado. Essa dúvida me motivou a perguntar aos escritores, professores, críticos e jornalistas apaixonados pelo gênero quais são os melhores contos brasileiros de FC já publicados.

A eleição foi bastante informal. Muitos eleitores usaram exclusivamente o critério afetivo na hora da escolha: votaram nos contos que marcaram fundo sua razão emocional. Outros preferiram o critério histórico e literário, elegendo as narrativas fundadoras, que estabeleceram as balizas do gênero no Brasil. Outros escolheram o contemporâneo, privilegiando a ficção curta produzida já no século 21. Três critérios bastante legítimos, em minha opinião.

Não havia uma lista prévia preparada por mim. Pedi a cada especialista que votasse em três contos, de tudo o que ele já conhecia. O primeiro conto votado recebeu três pontos, o segundo dois pontos e o terceiro um ponto. Amigos gentilmente me avisaram que a unanimidade dificilmente apareceria. Foi o que aconteceu. Mas devagar foi surgindo na retina um desenho mais ou menos fixo, querendo permanecer. Os dez contos e os dez autores mais votados representam, talvez, o princípio da consolidação de um cânone. O resultado da eleição foi:

Os dez contos mais votados:

A escuridão, de André Carneiro (25 pontos)
A ética da traição, de Gerson Lodi-Ribeiro (20 pontos)
Eu matei Paolo Rossi, de Octavio Aragão (13 pontos)
Mestre-de-armas, de Braulio Tavares (13 pontos)
O homem que hipnotizava, de André Carneiro (6 pontos)
Pendão da esperança, de Flávio Medeiros Jr. (6 pontos)
Água de Nagasáqui, de Domingos Carvalho da Silva (5 pontos)
Assassinando o tempo, de Cristina Lasaitis (5 pontos)
Cão de lata ao rabo, de Braulio Tavares (5 pontos)
Um braço na quarta dimensão, de Jerônymo Monteiro (5 pontos)

Os autores mais votados:

André Carneiro (42 pontos)
Braulio Tavares (33 pontos)
Gerson Lodi-Ribeiro (25 pontos)
Octavio Aragão (14 pontos)
Fábio Fernandes (12 pontos)
Jerônymo Monteiro (10 pontos)
Ivanir Calado (10 pontos)
Cristina Lasaitis (10 pontos)
Fausto Cunha (8 pontos)
Carlos Orsi Martinho (7 pontos)

Votaram: Ademir Pascale, Alfredo Suppia, Álvaro Domingues, Ana Cristina Rodrigues, Arnaldo Pinheiro Mont’Alvão Júnior, Ataíde Tartari, Bruno Cobbi, Carlos Angelo, Cesar Silva, Clinton Davisson, Cristina Lasaitis, Daniel Borba, Edgar Indalecio Smaniotto, Edgard Refinetti, Fábio Fernandes, Fausto Fawcett, Fernando Moretti, Flávio Medeiros, Francisco Skorupa, Gerson Lodi-Ribeiro, Gian Danton, Guilherme Kroll, Hugo Vera, Ivo Heinz, Jorge Luiz Calife, José Carlos Neves, Lucio Manfredi, Luiz Bras, Luiz Roberto Guedes, Marcello Simão Branco, Marco Bourguignon, Marcos Vilela, Mary Elizabeth Ginway, Matias Perazoli, Miguel Carqueija, Mustafá Ali Kanso, Octavio Aragão, Rachel Haywood Ferreira, Ramiro Giroldo, Ramon Bacelar, Richard Diegues, Roberto de Sousa Causo, Rodolfo Londero, Rynaldo Papoy, Saint-Clair Stockler, Silvio Alexandre, Simone Saueressig, Sylvio Gonçalves e Tibor Moricz.

Déjà-vu

18/12/2011

A caprichada Coleção Contos Fantásticos, coordenada por Braulio Tavares para a editora Casa da Palavra, chega ao quinto e glorioso volume. Depois de Páginas de sombra, Contos fantásticos no labirinto de Borges, Freud e O estranho e Contos obscuros de Edgar Allan Poe, é a vez de Páginas do futuro tocaiar o leitor tupiniquim com seu canto de sereia tecnológica e visionária.

A nova antologia reflete em pequena escala a grande diversidade inventiva desse gênero de mil faces que é a ficção científica. São doze narrativas diferentes na linguagem e na temática: doze visões particulares do que o futuro nos reserva, antecedidas por uma apresentação concisa e eficiente do gênero e dos contos.

Eu participo com Déjà-vu, escrito originalmente para a coletânea Contos imediatos, organizada por Roberto de Sousa Causo, e depois incluído em meu artefato de estreia, Paraíso líquido. A companhia não podia ser melhor: Ademir Assunção, André Carneiro, Ataíde Tartari, Fábio Fernandes, Fausto Fawcett, Finisia Fideli… Cercando os autores e suas páginas do futuro extraordinário há oito divertidas colagens de Romero Cavalcanti, em que máquinas, pessoas, edifícios, pequenas e grandes criaturas dançam o rondó do delírio.

Abdução?

09/12/2011

Esse é o título de meu conto publicado na edição O (ó) da revista Arte e Letra: Estórias, uma das melhores em circulação no Brasil. A revista chega de Curitiba, capital pródiga em publicações literárias de qualidade, de onde vêm também os ótimos Rascunho e Cândido.

Pra mim, a Arte e Letra: Estórias é bem mais do que uma revista trimestral de arte e literatura. Editada pelo Thiago Tizzot, ela é uma confraria sofisticada, que reúne ilustrações, artigos e ficções muito acima da média, de brasileiros e estrangeiros.

Gosto principalmente da decisão editorial de garimpar, na obra de autores estrangeiros consagrados, aqueles textos ainda inéditos ou há muito tempo fora de catálogo. Pra você ter uma ideia, nas edições anteriores (letras M e N) foram retraduzidos com o maior cuidado dois clássicos imperdíveis: O homem da areia, de E. T. A. Hoffman, e O cair da noite, de Isaac Asimov.

Abdução? é a história meio delirante, meio fantástica, meio apocalíptica, de um cinqüentão e uma menina num mundo sem mais ninguém, em que coisas estranhas acontecem o tempo todo, mas tudo pode não passar de loucura…

Na revista Verbo 21

30/11/2011

Novembro vai chegando ao fim. O ano vai chegando ao fim. Coisas estranhas aconteceram. Coisas maravilhosas aconteceram. Lá longe, no fundo da web, alguém sinaliza em nossa direção. O professor e escritor Thiago Lins escreveu sobre a coletânea Muitas peles na revista on-line Verbo 21, editada pelo escritor Lima Trindade. Para ler a resenha, basta clicar aqui.

Booktrailer do novo livro

21/10/2011

Chegou!

12/10/2011

Acaba de chegar da gráfica o novo romance. A edição ficou pra lá de bela, graças ao capricho da editora e do ilustrador. Missão cumprida. Mais um filhote desembarca no mundo, saudável e robusto. Agora já posso deitar no sofá e relaxar. Tenho certeza de que os leitores se divertirão tanto quanto eu me diverti escrevendo essa nova aventura em Cobra Norato. Para mais detalhes sobre o recém-nascido, basta clicar aqui.

Depósito de desatinos

06/10/2011

Muito bacana, também, a resenha de Josué de Oliveira publicada no Depósito de desatinos. Um trechinho:

“Quando a cidade de Primeiro de Abril ganha consciência e passa a agir independente da vontade dos humanos, um grupo de ciborgues precisa enfrentar a situação e tentar restabelecer o controle. (…) Bras imprime um ritmo bem peculiar à narrativa, conduzindo-a com linguagem cuidadosa, apostando na forma para seduzir o leitor. Consegue. Mas não fica só nisso, cria personagens divertidos e os coloca no meio de uma situação que gera interesse.”

A única profissão honesta

30/09/2011

De que fala a boa ficção, qual é o seu assunto predileto? Depois de assistir a essa apresentação do mágico Marco Tempest, eu concluí que os bons romances e os bons contos, igual à mágica, falam principalmente do engano, da decepção. No começo de uma história para jovens ou adultos, de qualquer história, algo terrível acontece. Os personagens são lançados no abismo do engano, da decepção, e a grande aventura, para os heróis literários e também para o leitor, será escapar desse abismo. Uns morrerão tentando. Outros conseguirão escapar, mas somente depois das piores provações, dos piores horrores. Aí está a beleza da boa ficção. O leitor acompanha essa aventura perplexo, comovido. Ele torce pelo herói, sente sua dor, seu cansaço, como se a aventura estivesse ocorrendo diante de seus olhos. Durante a leitura, a fantasia vira realidade. É o triunfo do ilusionismo ficcional. Nesse ponto, o escritor e o mágico são iguais. O mágico Karl Germain (está no vídeo) dizia que a mágica é a única profissão honesta. “A promessa de um mágico é enganar você, e é o que ele faz.” Mas… A única profissão honesta? De jeito nenhum. Podemos afirmar o mesmo da literatura, não?

Invisíveis. Indizíveis. Inesquecíveis.

23/09/2011

Muito bacana, a resenha de Lucas Rocha publicada no Skoob. Um trechinho:

Primeiro de Abril: Corpus Christi, de Luis Braz, conta a história de uma cidade repleta de personagens interessantes. É um conto rápido, que fala sobre sociedades secretas, códigos binários e a cidade em si, que muda à medida que seus atores principais exercem atos que a transformam. Com alcunhas como Gato de Botas, Chapeleiro Louco e Penny Lane, os personagens principais talvez funcionem como coadjuvantes do exercício de modificação da cidade, esse sim o tema central da história.”


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