Archive for junho \27\UTC 2010

As paredes da realidade tremeram

27/06/2010

Ontem, no Espaço Terracota, eu ganhei um presentão: um show-livro baseado no Paraíso líquido. Foi emocionante rever trechos dos contos na leitura dramática de Cláudio Brites, cercada pelo som demolidor de Tiago Araújo (violão) e Thiago Camargo (percussão). Quem estava lá viu: uma porta pra outra realidade ficou momentaneamente escancarada. O grupo apresentou muito mais do que uma simples leitura. Eles convocaram compositores da MPB e criaram um espetacular espetáculo musical e literário. Como eu disse, foi um presentão: o primeiro show-livro de que tenho notícia. Talvez o primeiro do planeta.

Deise Sales cantou deliciosamente O que você faria?, de Paulinho Moska, Um índio, de Caetano Veloso, Táxi lunar, de Zé Ramalho, e Cálice, de Chico Buarque. Ísis de Medeiros e Márcia Regina interpretaram o diálogo inicial do conto Memórias. Fui transportado para uma região fabulosa, mais real do que a realidade, em que meus personagens estão vivos, têm rosto, voz. A experiência foi tão bacana que Silvio Alexandre, organizador do simpósio Fantasticon, convidou o grupo para encerrar o evento com outro show-livro. Será no dia 29 de agosto, na Biblioteca Viriato Correa, em São Paulo. Prepare-se, o entusiasmo da galera é ilimitado e o show-livro tupiniquim está apenas começando.

No Terra Magazine

20/06/2010

Que adjetivo casa melhor com uma resenha? Como expressar com uma só palavra o caráter da análise de um livro? Vejo na web que os leitores usam com freqüência expressões como magistral, perspicaz e luminosa. São adjetivos meio gastos, eu concordo. Mas, na falta de outro melhor, todos os três definem muito bem a resenha que Roberto de Sousa Causo fez da coletânea Paraíso líquido para o Terra Magazine.

Causo é uma das poucas pessoas com quem realmente vale a pena conversar. Além de jogar bem nas duas posições — na teoria e na prática ficcional —, seu repertório literário é extenso e sua integridade é à prova de balas. Mas sua principal qualidade parece ser, para muitos, um defeito: ele se interessa pelos escritores brasileiros contemporâneos. Ele os lê com atenção. E reflete cuidadosamente sobre o que leu.

Para um autor que não quer nada além de bons leitores, a análise do Paraíso líquido publicada no Terra Magazine é um presente maravilhoso. Ela não adula nem detona, não bajula nem vilipendia. Com rigor e imparcialidade, ela aponta as qualidades e também os defeitos, fugindo assim da praxe editorial, bipolar: resenha de amigo ou de inimigo. É uma resenha que define um projeto literário e convida ao diálogo maduro, sem melindre, propondo uma conversa entre pessoas inteligentes (Ezra Pound).

Novo lançamento

15/06/2010

O lançamento da coletânea Paraíso líquido foi muito bacana. Calculei, por alto, umas trezentas pessoas. Mesmo assim, por razões diversas, muitos amigos não puderam ir. Então a editora decidiu organizar mais um lançamento, com coquetel e sarau, agora no Espaço Cultural Terracota.

Dizem que o paraíso não tem preço. Eu acredito. O livro será distribuído gratuitamente a todos que comparecerem ao lançamento. Aconteceu antes, acontecerá de novo (rs).

Mas dessa vez o ponto alto será mesmo o sarau psicomusical em que Claudio Brites, Deise Sales, Ely Guimarães, Thiago Camargo e Tiago Araújo apresentarão trechos do livro, acompanhados de percussão e baixo. A avenida Lins de Vasconcelos vai ferver, por algumas horas o futuro visitará o presente.

Todos os detalhes sobre o evento estão no convite aí em cima. Esperamos você lá.