Muitas peles

Esse vibrante flagrante de camadas sobrepostas, desenhado por Teo Adorno, em breve vibrará na capa de meu primeiro livro de não ficção, a coletânea Muitas peles. Com o apoio do ProAC 2010, meus melhores artigos publicados no jornal Rascunho foram convocados para compor esse livrinho quase de bolso: 12 x 17 cm. Abaixo, o breve texto de apresentação.

Literatura e afins

Este pequeno volume reúne um bom número de provocações, delírios, reflexões, insights e anseios divulgados com fervor na coluna Ruído Branco do jornal Rascunho. O assunto da maioria dos textos aqui reunidos é a literatura contemporânea.

O tempo das escolas literárias muito bem definidas – romantismo, realismo, simbolismo, modernismo etc. – parece ser mesmo coisa do passado.

A literatura contemporânea é composta de muitas vozes, muitos olhares, muitas peles, que não se deixam reunir pacificamente em certas doutrinas ou em certos grupos muito bem definidos. Essa multiplicidade pode ser conferida facilmente nas livrarias, nas bibliotecas, nos eventos literários espalhados pelo país.

E a crítica contemporânea? O tempo das escolas analíticas muito bem definidas – de expressão estruturalista, sociológica, psicanalítica, pós-modernista etc. – também é coisa do passado? Tudo indica que sim. Hoje, a multiplicidade de enfoques e ferramentas analíticas indica que também a crítica é composta de muitas vozes, muitos olhares, muitas peles.

É preciso refletir sobre o presente, usando as ferramentas do presente. A crítica literária de agora evita basear-se no modelo clássico, aristotélico, de enquadramento em normas rígidas. Para dar chance a interpretações inauditas, ela prefere ir em busca da geometria não euclidiana, da física não newtoniana, da razão não kantiana, da epistemologia não cartesiana.

As provocações, os delírios, as reflexões, os insights e os anseios deste nanolivro reafirmam essa convicção.

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