Daniel Lopes: um e-mail

26 de fevereiro

Ei Luiz, já devorei o Muitas peles. Bom demais. Percebi no livro uma divisão em quatro frentes temáticas. A primeira, mais ligada a questões científicas e a indagações quanto ao futuro e à tecnologia. Textos: Morte e imortalidade, O infinito: um delírio?, Fim do papel, fim da poesia e Escolha um futuro. Aqui se encontram vários assuntos que tínhamos discutido no curso Cosmovisão. Tempos atrás escrevi um conto baseado no mito do eterno retorno, que você aborda tão bem em Escolha um futuro. Vai o link, caso queira dar uma olhada:

http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2010/11/roleta.html

Na segunda leva de artigos, você trata da FC e suas relações com o mainstream, cujos textos discutimos no começo da nossa amizade. Foi bom retomá-los.

Terceira frente: aqui você trata dos problemas da literatura em geral. Para mim foi a parte mais angustiante, principalmente o texto que fala da relação entre novos escritores e editores. Pô, velho, minha situação é mesmo muito triste e ridícula. E concordo contigo em tudo o que disse em Crítica é cara ou coroa.

E a quarta frente! Ah, a quarta frente me fez chorar. São os textos que tratam da literatura infantil ou infanto-juvenil: Olha mãe, um cor voando!, Encontro com o autor-personagem (de certa maneira) e, o mais bonito, Paraíso perdido: a infância. Quando cheguei ao final do último, tive de me segurar pra não chorar. A tira mais triste do mundo é de fato a tira mais triste do mundo.

Abração,

Daniel

27 de fevereiro

Rapaz, obrigado pela leitura e pelo supercomentário ao Muitas peles. É verdade. Nós já conversamos sobre alguns temas abordados nessa coletânea. São questões que movem minha existência e minha literatura, por isso o entusiasmo em querer compartilhá-las com as pessoas.

No teu conto, Roleta, o tema da separação aparece ligado, com justeza, ao mito do eterno retorno e à noção atual da verdadeira natureza do cosmo. É um conto-lenda, doloroso e cruel. “Um cu contém o mistério do mundo. O buraco negro, como o próprio nome diz, é o cu do universo.” Verdade. Esse conto pertence à mesma esfera criativa dos filmes de meu cineasta vivo predileto: Lars von Trier.

Abraço!

Luiz

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