A grande ousadia

Roberto de Sousa Causo acaba de publicar na revista on-line Terra Magazine um artigo com esse título: A grande ousadia. Qual teria sido ela, a grande ousadia? Segundo o articulista, a de denunciar na ficção mainstream das últimas décadas o cansaço fabulativo, a repetição de assuntos, e propor, como antídoto ou estimulante, uma visita exploratória a outro manancial narrativo: a ficção científica.

Causo é um dos poucos ficcionistas-teóricos preocupados em historiar o ramo criativo de sua predileção. A ojeriza à classificação histórica, que eu noto na maioria dos escritores contemporâneos, acaba promovendo o esquecimento a curto prazo. Mas talvez o objetivo inconsciente seja esse mesmo: o esquecimento, o fim da História, proposto por Hegel e Fukuyama. É sempre mais fácil e proveitoso repetir as velhas fórmulas quando ninguém está disposto a registrar, catalogar e fiscalizar.

Tendo em vista a questão literária proposta no Convite ao mainstream, Causo apresenta em sua reflexão, com muita propriedade, o contexto das questões anteriores envolvendo a FC. Questões que movimentaram na imprensa críticos do gabarito de Mário da Silva Brito, Antonio Olinto, Otto Maria Carpeaux e Wilson Martins, entre outros. Só por isso já vale a leitura.

De quebra, na seção Drops da mesma coluna, uma notícia que diz respeito ao minidebate realizado aqui, dias atrás:

FC e o Cânone Literário: O jornal inglês The Guardian discute, em artigo de Damian G. Walter, a possibilidade da ficção especulativa vir a integrar o cânone da ficção literária no futuro. O foco se concentra na atual produção inglesa de FC e fantasia, e de como ela deveria ser representada no maior prêmio literário inglês, o Booker Prize: http://www.guardian.co.uk/books/2011/feb/02/science-fiction-literary-canon

Anúncios

Tags:


%d blogueiros gostam disto: