Os melhores contos brasileiros de ficção científica

Se perguntarem a escritores, professores, críticos e jornalistas do mainstream quais são os melhores contos brasileiros já publicados, nessa seleção certamente aparecerão Missa do Galo de Machado de Assis, Negrinha de Monteiro Lobato, O homem que sabia javanês de Lima Barreto, O pirotécnico Zacarias de Murilo Rubião, Feliz aniversário de Clarice Lispector, A terceira margem do rio de Guimarães Rosa, A caçada de Lygia Fagundes Telles, Uma vela para Dario de Dalton Trevisan, Feliz ano-novo de Rubem Fonseca… Os especialistas do mainstream, mesmo lidando com uma produção tão vasta, quando convidados a votar sempre chegam muito perto da unanimidade.

Então me questionei se na ficção científica brasileira também existiria algo parecido com essa unanimidade. Um cânone já consolidado. Essa dúvida me motivou a perguntar aos escritores, professores, críticos e jornalistas apaixonados pelo gênero quais são os melhores contos brasileiros de FC já publicados.

A eleição foi bastante informal. Muitos eleitores usaram exclusivamente o critério afetivo na hora da escolha: votaram nos contos que marcaram fundo sua razão emocional. Outros preferiram o critério histórico e literário, elegendo as narrativas fundadoras, que estabeleceram as balizas do gênero no Brasil. Outros escolheram o contemporâneo, privilegiando a ficção curta produzida já no século 21. Três critérios bastante legítimos, em minha opinião.

Não havia uma lista prévia preparada por mim. Pedi a cada especialista que votasse em três contos, de tudo o que ele já conhecia. O primeiro conto votado recebeu três pontos, o segundo dois pontos e o terceiro um ponto. Amigos gentilmente me avisaram que a unanimidade dificilmente apareceria. Foi o que aconteceu. Mas devagar foi surgindo na retina um desenho mais ou menos fixo, querendo permanecer. Os dez contos e os dez autores mais votados representam, talvez, o princípio da consolidação de um cânone. O resultado da eleição foi:

Os dez contos mais votados:

A escuridão, de André Carneiro (25 pontos)
A ética da traição, de Gerson Lodi-Ribeiro (20 pontos)
Eu matei Paolo Rossi, de Octavio Aragão (13 pontos)
Mestre-de-armas, de Braulio Tavares (13 pontos)
O homem que hipnotizava, de André Carneiro (6 pontos)
Pendão da esperança, de Flávio Medeiros Jr. (6 pontos)
Água de Nagasáqui, de Domingos Carvalho da Silva (5 pontos)
Assassinando o tempo, de Cristina Lasaitis (5 pontos)
Cão de lata ao rabo, de Braulio Tavares (5 pontos)
Um braço na quarta dimensão, de Jerônymo Monteiro (5 pontos)

Os autores mais votados:

André Carneiro (42 pontos)
Braulio Tavares (33 pontos)
Gerson Lodi-Ribeiro (25 pontos)
Octavio Aragão (14 pontos)
Fábio Fernandes (12 pontos)
Jerônymo Monteiro (10 pontos)
Ivanir Calado (10 pontos)
Cristina Lasaitis (10 pontos)
Fausto Cunha (8 pontos)
Carlos Orsi Martinho (7 pontos)

Votaram: Ademir Pascale, Alfredo Suppia, Álvaro Domingues, Ana Cristina Rodrigues, Arnaldo Pinheiro Mont’Alvão Júnior, Ataíde Tartari, Bruno Cobbi, Carlos Angelo, Cesar Silva, Clinton Davisson, Cristina Lasaitis, Daniel Borba, Edgar Indalecio Smaniotto, Edgard Refinetti, Fábio Fernandes, Fausto Fawcett, Fernando Moretti, Flávio Medeiros, Francisco Skorupa, Gerson Lodi-Ribeiro, Gian Danton, Guilherme Kroll, Hugo Vera, Ivo Heinz, Jorge Luiz Calife, José Carlos Neves, Lucio Manfredi, Luiz Bras, Luiz Roberto Guedes, Marcello Simão Branco, Marco Bourguignon, Marcos Vilela, Mary Elizabeth Ginway, Matias Perazoli, Miguel Carqueija, Mustafá Ali Kanso, Octavio Aragão, Rachel Haywood Ferreira, Ramiro Giroldo, Ramon Bacelar, Richard Diegues, Roberto de Sousa Causo, Rodolfo Londero, Rynaldo Papoy, Saint-Clair Stockler, Silvio Alexandre, Simone Saueressig, Sylvio Gonçalves e Tibor Moricz.

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