Cultura FM – Programa Entrelinhas

O jornalista e crítico literário Manuel da Costa Pinto convidou-me pra participar do programa Entrelinhas: Confluências entre Música e Literatura, apresentado por ele na Cultura FM (103,3). Topei na hora. Difícil foi escolher as composições. De uma lista inicial com minhas trinta músicas mais queridas, depois de muito sofrimento consegui selecionar oito.

O programa vai ao ar no dia 31 de julho, terça-feira, às 21h. O bate-papo com Manuel foi tão prazeroso, informal e descontraído, que estouramos astronomicamente o tempo regulamentar. Talvez uma ou duas composições precisem ser cortadas na edição.

1. Debussy: Prelúdio ao entardecer de um fauno. Homenagem musical ao célebre poema de Mallarmé, sobre o envelhecimento e o declínio do vigor físico. O fauno Mallarmé é o personagem-assombração do romance Poeira: demônios e maldições, de meu amigo Nelson de Oliveira.
2. Ravel: Pavana para uma infanta defunta. A música erudita e o cinema foram a principal matéria-prima do ficcionista Cabrera Infante em seu romance engraçadíssimo Havana para um Infante defunto.
3. Carl Orff: Veris leta facies. Duvido que o compositor estivesse pensando no Marquês de Sade, quando orquestrou esse poema medieval sobre a chegada da primavera. Mas o cineasta Pier Paolo Pasolini, em seu último filme, não deixou escapar essa triste constatação: a barbárie muitas vezes anda de mãos dadas com o refinamento.
4. Stravinsky: Os augúrios primaveris: a dança das adolescentes. Trecho do balé A sagração da primavera. Stravinsky é meu compositor predileto, sempre foi. Considero genial toda a sua obra, da primeira a última composição. Um de meus romancistas mais queridos, Alejo Carpentier, homenageou esse balé num romance também intitulado A sagração da primavera.
5. Prokofiev: Montecchios e Capulettos. Trecho do balé Romeu e Julieta. Shakespeare teria gostado de assistir à essa adaptação de sua peça mais popular. Tentei reproduzir, num dos capítulos do romance Sozinho no deserto extremo, o andamento e a atmosfera desse trecho magnífico.
6. Debussy: Hommage à S. Pickwick Esq. P.P.M.P.C. Debussy homenageou diversos escritores, a maioria poetas. Esse prelúdio é um delicado tributo ao romancista Charles Dickens e a seu personagem Samuel Pickwick. Os prelúdios de Debussy são a música-fantasma que assombram pelo menos três contos da coletânea Paraíso líquido.
7. Gilberto Mendes: O meu amigo Koellreutter. Finalmente um compositor brasileiro nesta seleção. O santista Gilberto Mendes (não deixem de ler seu livro de memórias, Viver sua música: com Stravinsky em meus ouvidos, rumo à Avenida Nevskiy) homenageia aqui outra importante figura de nossa vanguarda: o alemão Hans-Joachim Koellreutter, que na juventude mudou-se para o Brasil, fugindo do nazismo.
8. Edgar Meyer: Please don’t feed the bear. Meyer é um compositor e instrumentista que transita por vários gêneros musicais. Uma descoberta recente, indicação do poeta Ninil Gonçalves. Gosto de ouvir seus CDs quando estou escrevendo.

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