Setenta anos

O ficcionista e tradutor paulistano Petê Rissatti, especialista na obra de Fernando Sabino, fez uma importante descoberta: o clássico O encontro marcado era pra ser um romance de ficção científica distópica. Sabino revela essa intenção em duas longas cartas endereçadas ao jornalista Paulo Mendes Campos (a primeira carta) e ao editor Ênio Silveira (a segunda). Rissatti encontrou as duas cartas enquanto pesquisava pra sua tese de doutorado sobre o romance brasileiro urbano. O que levou o escritor mineiro a mudar de ideia sobre a trama de sua principal obra, ninguém sabe. O que sabemos com certeza é que, se o plano inicial tivesse sido mantido, O encontro marcado seria hoje mais uma narrativa essencial da ficção científica brasileira.

O encontro marcado
Romance distópico de Fernando Sabino
Eduardo, rapaz tímido de dezoito anos, com uma grave doença da qual não se encontra diagnóstico seguro na segunda década do século 21, é congelado por seus pais até que a cura seja encontrada. No fim do século, Eduardo é descongelado e descobre um mundo bem diferente do que ele conhecia. Por um lado, sua grave doença já pode ser curada em qualquer farmácia, com dois ou três comprimidos. Por outro, as condições políticas e sociais que encontra no Novo Mundo não são das melhores: na Terra com quinze bilhões de habitantes não existe mais privacidade possível. O espaço para cada ser humano em terra firme foi reduzido a vinte metros quadrados, a água é reprocessada e tem um gosto horrível, a comida é racionada e todos os passos dos cidadãos são controlados por meio de chips e outras parafernálias que Eduardo só conhecia dos romances da sua época. Mas seu maior problema será encontrar o filho de uma relação furtiva com uma vizinha, ocorrida antes de seu congelamento. Filho que agora estaria com setenta anos.

Pesquisa: Petê Rissatti

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