Resenha da “Máquina Macunaíma”

Ramiro Giroldo

Ramiro Giroldo, especialista em ficção de gênero e autor do estudo Ditadura do prazer: sobre ficção científica e utopia, postou em seu blogue uma ótima resenha da Máquina Macunaíma. São leituras como essa, cuidadosas e exatas, que fazem valer a pena escrever e publicar, num mundo já abarrotado de livros de celulose ou eletricidade. (Pra ler basta clicar na imagem acima.)

Confesso que andava bastante chateado com o silêncio em torno do Sozinho no deserto extremo, lançado há um ano. Dediquei uns bons meses na escritura desse romance, que acabou ignorado pela maior parte da imprensa cultural tupiniquim. Não fossem os registros na Ilustrada e no Guia da Folha, o romance simplesmente não existiria pra nossa imprensa.

Desestimulado por esse fracasso, eu não planejava publicar nada este ano. Então me ocorreu seguir outro caminho: fugir do mercado editorial. Contornar a tradicional cadeia produtiva do livro (editora, distribuidora, livraria, imprensa) e fazer uma edição quase secreta. Apenas cinqüenta exemplares, sem ISBN, press release, estoque, nada disso. Dá pra ver que voltei no tempo, para a época da militância romântica em que uns jovens poetas (Bandeira, Drummond e outros) bancavam mínimas tiragens dos primeiros livros.

Recebi, por e-mail, vários comentários positivos sobre a Máquina Macunaíma. Isso já me animou bastante. A resenha de Ramiro Giroldo completou a transfusão de sangue que me trouxe de volta à vida. O zumbi renasceu.

Não sei se essa nova coletânea de contos um dia será relançada por uma editora comercial. O grande público parece não estar interessado em narrativas sobre a inconsistência da realidade, melhor dizendo, sobre a inconsistência de nossa mente para compreender a realidade. Mesmo que a edição fique restrita aos cinqüenta exemplares, não há problema. Com essa análise de Ramiro, e a leitura dos amigos, posso dizer que o círculo hermenêutico se fechou. Em pequena escala, mas se fechou. Maravilhosamente bem.

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