Descrição do personagem

Um modo incomum e irreverente de descrever um personagem é usar na descrição o vocabulário da profissão do personagem.

O resultado é quase sempre uma divertida amostra de nonsense. Exemplos:

O cardiologista tem trinta anos e sua fisionomia pulsante é uma organizada confusão de cateteres e artérias coronárias. A careca minuciosa feito um hemograma, os olhos capazes de controlar o colesterol a distância, as pequenas orelhas de estetoscópio, os dedos finos de bisturi, tudo isso é compatível com a imagem que fazemos do plantonista crônico, obediente à agenda aguda das paradas cardíacas, acostumado ao labirinto circulatório e respiratório do hospital.

O advogado tem trinta anos e sua fisionomia ajuizada é uma organizada confusão de intimações e habeas corpus. A careca minuciosa feito um código penal, os olhos capazes de controlar o processo judicial a distância, as pequenas orelhas de escrivão, os dedos finos de procurador, tudo isso é compatível com a imagem que fazemos do criminalista defensivo, obediente à agenda justiceira dos alvarás de soltura, acostumado ao labirinto doloso e culposo do tribunal.

O matemático tem trinta anos e sua fisionomia cilíndrica é uma organizada confusão de vértices e expressões numéricas. A careca minuciosa feito um algoritmo, os olhos capazes de controlar os fractais a distância, as pequenas orelhas de esquadro, os dedos finos de compasso, tudo isso é compatível com a imagem que fazemos do professor poliédrico, obediente à agenda comutativa das figuras concêntricas, acostumado ao labirinto assimétrico e incongruente da pós-graduação.

Uma variante desse método quase surrealista de descrição de um personagem é usar na descrição o vocabulário não de sua profissão, mas de algo que o personagem goste: um esporte, um passatempo, uma arte (música, cinema, literatura etc.).

Exercício

Descreva um personagem usando o método proposto acima.

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