A angústia da influência

Boxeadores

Gira, gira. Agacha. Desliza.
O primeiro jabe apimentado partiu de você.
O segundo, o terceiro… Agacha, gira. Desliza. Gira.
Eu tava quieto no meu canto, misturando meus destemperos.
Fratura exposta nunca atiçou meu apetite.
Juro, eu tava pastelzinho na cozinha,
fritando uns pequenos truques. Até que veio
o golpe cru, muito baixo pra meu paladar sensível.
Em pensamento, você materializou o ringue,
o juiz e a torcida. E me arrastou pra briga.
Agora não reclama, chef. Tá com fome?
Prova esse direto malpassado. Saboroso, não?
Que tal esse cruzado ao molho pardo?
Você sempre foi obcecado por jogos & joguetes.
Nesse tabuleiro de pesos-pesados, o caos e o acaso
lançam os dados, dão as cartas. Viciados, marcadas.
Gira, gira. Abaixa. Desliza. Tá tonto, querido?
Quer um chazinho de hematoma?
Que tal um gancho gorduroso nas costelas,
outro nas costeletas? Abaixa, gira. Desliza. Gira.
Sorte & azar, senhor Sortazar, são os anjos-demônios
do teu jazz infernal, do meu boxe purgativo,
do nosso xadrez celestial. Bate, fracote.
Bate forte, pra sempre. Vida após vida,
brindaremos com taças de sangue.
Vencer por pontos ou nocaute é para os frouxos.
Com você, meu gigante, não me interessa
o xeque-mate. Com você, meu troncho,
eu quero a briga braba, sem perdedor ou vencedor.
Apenas dor. Pancadas eternas ao deus-dará.
Valendo unhada no olho, joelhaço nos bagos.
Um cardápio punk de múltiplos orgasmos.

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