A vida é logo aqui

Vida

Começamos o ano muito bem. Acaba de ser lançada pela Sesi-SP Editora a luminosa coletânea A vida é logo aqui, de contos para os jovens leitores.

Nelson de Oliveira, o organizador, reuniu um grupo de autores brasileiros de talento inquestionável, pra falar das delicadezas e amarguras da adolescência.

O projeto gráfico e as ilustras são da premiada designer Raquel Matsushita.

Os quinze autores convidados são: Adriano Messias, Carla Caruso, Claudio Fragata, Cristina Porto, Flávia Côrtes, João Anzanello Carrascoza, Leo Cunha, Luís Dill, Luiz Bras (eu!), Maria José Silveira, Marília Pirillo, Silvana Tavano, Sônia Barros, Tânia Martinelli e Tino Freitas.

A proposta partiu do editor Rodrigo de Faria e Silva, um ano atrás. Sem o apoio do Rodrigo e da Gabriella Plantulli (editora assistente) essa reunião de histórias simplesmente não existiria.

Pra você ter uma boa ideia do que se trata, o texto de apresentação diz o seguinte:

 

Vida: aventura-presente

Nelson de Oliveira

Foi ontem, mas não é mais. Acabou.

Congelou no passado, é coisa sólida: uma pedra de gelo. Ficaram as lembranças. Os registros na rede social. A gravação e as fotos.

Será daqui a pouco. Amanhã. Semana que vem. Mas ainda não é.

O futuro é uma avenida com muitas possibilidades, muitas bifurcações. É coisa gasosa: uma névoa. Impossível de segurar. Invisível.

Galera, a vida não é ontem nem amanhã. Não é sólida nem gasosa.

A vida é agora. É coisa líquida.

Não é lá longe, no passado ou no futuro.

É logo aí, aqui, bem perto, coladinho na gente. É o oceano que nos envolve neste exato momento. Água que não acaba mais.

Sempre que penso nisso, lembro do Poema de sete faces, do Drummond, e dos célebres versos:

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Esta coletânea de contos sobre a vida jovem − num mundo velho que sempre se renova − quase foi batizada de Mundo vasto mundo, em homenagem a essa estrofe.

Mundo-oceano. Vasta vida aqui & agora. Teu verdadeiro nome é Transformação.

Existir é o maior mistério de todos. Um susto maravilhoso. Um presente do universo.

Mas quem disse que existir é fácil?

O passado fugiu pra trás, o futuro foge pra frente, o presente não foge jamais: é uma aventura cheia de perigos & armadilhas.

Somos todos heróis de nossa história particular. Somos Hércules. Electra. Superman. Mulher-Maravilha. Nossos medos são criaturas estranhas, sustos do agora que precisamos combater.

Viver é desenhar sem borracha, sacou o desenhista-filósofo Millôr Fernandes.

Sem a segurança da borracha, às vezes somos pequenos demais, menores que o mundo-oceano. Às vezes somos grandes, maiores que ele.

Outras vezes somos do mesmo tamanho, nós e a vida-presente.

Esta coleção de contos sobre a aventura jovem − num mundo velhíssimo apaixonado pela renovação − flagra quinze vidas diferentes, de heróis de carne & osso, na adolescência. Todos brasucas.

Se a vida é múltipla, os autores e as histórias aqui reunidos também são.

Eles surpreendem, de maneiras distintas, as muitas faces da amizade e do amor. As muitas máscaras da intolerância e da injustiça.

São diversos Brasis num só Brasil. Diversas faixas de cor − urbana, rural, individual, social, corajosa, covarde, realista, mágica − num arco-íris de dimensões continentais.

Para dar conta dessa multiplicidade, convidamos um grupo de premiados ficcionistas. Nomes fortes em nossa literatura, amados por leitores & críticos.

São escritores, mas também magos. Sua prosa saborosa, ora lírica ora irreverente, confirma com delicadeza que a vida é um milagre.

Um acontecimento espantoso, neste exato instante-hora-minuto-segundo.

Prepare-se, galera, para um banho bom de realidade.

Os protagonistas das quinze histórias aqui reunidas, tão diferentes, têm algo em comum: estão vivendo a vida agora.

Intensamente.

Uns, mais desconfiados, com prudência, sem se arriscar além da conta. Outros, mais confiantes, com vontade, abraçando apertado as novas experiências.

Uns mais tímidos, outros mais atrevidos, isso não importa. Todos têm luz própria e brilham bastante. Em diferentes frequências líquidas.

No oceano-mundo, passam longe desses heróis a indiferença e a apatia.

Juntem-se a eles. Sejam eles. Compartilhem os sustos do agora.

Entreguem-se intensamente − durante a leitura, durante a vida-presente − aos sentidos do incerto e às certezas & surpresas do sublime.

Sintam-se nascidos a cada momento para a eterna novidade do mundo, como sugeriu outro mestre: o guardador de rebanhos Alberto Caeiro.

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