Breves teorias-do-caos sobre o “Distrito federal”

Capinha

Um longo poema beat-tupiniquim. Mistura de Allen Ginsberg e Mário de Andrade, com um toque de O silêncio dos inocentes. A vingança do mito sobre a objetividade: a corrupção tem raízes bem mais profundas!
[ Daniel Lopes, autor de A delicadeza dos hipopótamos ]

Mais do que uma ficção, Distrito federal é, na verdade, o documento mais contundente, a biópsia literária mais penetrante do nosso atual estado mental, estado social reativo, agressivo, perturbado, enlouquecido, excitado pelas vertigens da vida no Brasil, esse abismo que nunca chega. Com sua mistura de Câmara Cascudo com Cronemberg, de TV Senado com Chico Picadinho, de Robocop com Francis Bacon, muito bem azeitada, humorada, inspirada, Luiz Bras escancara com maestria a ira nada sagrada, a ira obscena que guia todos nós diariamente, para o colo do Último Grande Exu, o exu da Suculenta Insolência Infinita, alimentado pelas ruínas da Política, da Tecnociência, da Religião e do Humanismo. Alguma coisa cheira muito mal na atualidade. Principalmente no Brasil, abismo das ruínas encruzilhadas. Gambiarra das antropofagias. Distrito federal é um documento imprescindível.
[ Fausto Fawcett é autor de Favelost ]

Linhas de fuga em guerra de significação: Distrito federal me toma duma maneira que não comovia desde Panamérica, feito transe redivivo desse Agrippino milimetricamente estilhaçado que Luiz Bras encarna. Li numa assentada, leitura que exige repetição indefinida: um temporal incessante, não rio apascentado de leito. Inaudito como um Paris, Texas dirigido agora por Fritz Lang reinventando o zoom literário. Se a tranZmodernidade brasileira carecia dum manifesto, eis essa artesania dum nomadismo precioso. Mensurar algo que ainda deita raízes não posso, mas esse se revela o livro necessário para uma demanda de sentidos possíveis e desdobrados ao infinito do criativo.
[ Flávio Viegas Amoreira é autor de Escorbuto, cantos da costa ]

Distrito federal é uma das realizações mais ambiciosas de Luiz Bras, autor instigante e provocador, que renovou a ficção científica brasileira nos últimos anos.
[ Marcello Simão Branco, coeditor do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica ]

Distrito federal é uma obra de impressionante lucidez, um belo romance-poema que, utilizando um ritmo alucinado e imagens cortantes, destrincha a realidade política brasileira atual.
[ Márcia Barbieri, autora de A puta ]

Distrito federal é uma abdução. Luiz Bras cria um ciclo vicioso para quem lê, que mostra o ciclo vicioso de como o poder corrompe, causa danos e volta a corromper. Para o leitor é um alívio se aproximar, através das páginas, do universo de fedores e verdades que está bem abaixo do nosso nariz. O tempo vai, volta e, durante todo ele, permanece a sensação de que moral e bom-senso estão perdidos e fora do lugar. E estão.
[ Mariana Teixeira, autora de Inversos paralelos ]

Em Distrito federal, Luiz Bras dá voz a um povo cansado & triste, sem nada de heróico ou retumbante, que afinal reage, tingindo de vermelho um planalto central desenganado pela sujeira pública que nos assola e define.
[ Moacyr Godoy Moreira, autor de Soalho de tábua ]

Distrito federal expõe o detrito universal (humano) sem didatismo ou amenizações, em apurada linguagem e numa estrutura textual desconcertante. Pode-se chamar até de uma estrutura rizomática, tamanha a confluência de páginas numericamente distantes. A ausência de linearidade dá a sensação de um movimento circular que amplia a voracidade desse curupira pós-humano que se depara com os mesmos obstáculos corruptores e corrompidos em renovada alternância, nos dando a sensação de reinicio constante desse jogo destrutivo.
[ Ninil Gonçalves, autor de Absorções ]

Em Distrito federal, capa, projeto gráfico, gravuras, diagramação, estão perfeitamente ligados e integrados ao texto maravilhoso. O romance reflete a época em que vivemos, vai ao futuro, volta, e ainda assim duvidamos de suas terríveis premonições. Literatura me pareceu a única esperança. Adorei o livro.
[ Paula Bajer Fernandes, autora de Nove tiros em Chef Lidu ]

Distrito federal não se limita a replicar os ícones e os paradigmas clássicos da ficção científica. Reconfigura-os à luz das particularidades do contemporâneo e, assim, cumpre o modelar papel do gênero: fomentar uma nova maneira de ver o cambiante mundo ao nosso redor. Literariamente interessado no entrelaçar de forma e conteúdo, é um raro exemplo de narrativa longa de ficção científica no Brasil.
[ Ramiro Giroldo, autor de Ditadura do prazer: sobre ficção científica e utopia ]

A engenhosa narrativa tupinipunk de Luiz Bras agrega uma indignação de faca nos dentes à literatura do Brasil pós-Mensalão. Deveria virar tendência – e caixas do livro serem lançadas sobre Brasília.
[ Roberto de Sousa Causo, autor de Glória sombria ]

Distrito Federal é uma narrativa de ritmo alucinante e visceral.
Nem tente fugir, você será dominado pelo curupira.
Mas atenção, o Ministério da Cultura adverte: se você estiver envolvido em alguma maracutaia, não leia esse livro.
As consequências serão terríveis.
[ Victor Del Franco, autor de A fluidez da aurorA ]

Distrito federal é ao mesmo tempo raia de loucura e realidade em brasa. Não dá para se deixar levar pelo formato pouco convencional, as mensagens pulsam nas páginas o tempo todo, sem cessar, como um coração arrancado do peito, louco para fugir, encontrar caminhos diferentes daqueles já traçados. Um mergulho em códigos e mistérios que cada um vai interpretar de uma maneira.
Senti raiva, senti nojo, senti alegria, senti um chamado nesta rapsódia. É como um carro desgovernado que sabe exatamente o alvo que vai atingir. Atual, rebuscado, enfurecido, rebelde, e que se dane quem não gostar de adjetivos, teria ainda muitos mais. Distrito federal se desprende do real para descrever a nossa realidade matuta, o nosso caráter obtuso, mesmo que seja o obtuso que deseja sair do embotamento que nos atordoa pelo banho de merda e mau cheiro que se espalha.
Uma pena que o curupira não voltasse sua fúria para os pequenos corruptos também, aqueles que defendem com unhas e dentes a moral e subornam o guarda e furam a fila. Uma lástima que o curupira não tenha mirado os preconceituosos, os homofóbicos, os pedófilos, os mentirosos. Mas o castigo aos chupamerdas eleitos & corruptos lava a alma, apesar de não nos livrar da nossa responsabilidade por eles estarem onde estão.
Senti falta de uma presença maior do saci. E de outros orixás que muito bem se encaixariam no enredo: Nanã Buruquê e Omolu carregando os espíritos dos estripados seria sensacional, ou curando os obtusos; Ogun cortando cabeças, disputando com o curupira o sangue dos políticos fedorentos…
É uma colcha de retalhos psicocibernética, na qual o tempo tem importância mínima, pois tudo poderia ocorrer num segundo ou em bilhões de anos. E a vitória da natureza é o sopro da esperança depois de exterminado esse câncer que chamamos de humanidade.
Viva o curupira!
[ Petê Rissatti, autor de Réquiem: sonhos proibidos ]

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