O ser humano na era de sua reprodutibilidade tática

Reprodutibilidade tática

O mais infeliz dos brasileiros não tem cópias.
A mais infeliz das brasileiras também não tem cópias.
São autênticos, se amam,
uma aura de fogo-fátuo abençoa sua união.

De que maneira ser feliz num país de reproduções?
1. Seja o original de muitas cópias
melhores que você.
2. Ou seja uma das muitas cópias melhoradas
de um original pior que você.

Não somos únicos, mas a felicidade do reflexo
não é o primeiro postulado
da sociedade do espelho?
Autenticidade pra quê?!
As cópias aperfeiçoam o original e sua biografia.
A reprodução tática eleva os clones a patamares
que o original jamais atingirá.

Que felicidade, encontrar no metrô,
no escritório, no restaurante,
no cinema, no parque, no supermercado, no bar
meus muitos eus
melhores que eu.

A aura? Ora, a aura… A autenticidade…
Ainda não dá pra comprar, entende?
Não dá, amigo!

Na era de sua reprodutibilidade tácita,
arrebatará o Nobel o primeiro porra-louca
que conseguir clonar a aura
do mais infeliz dos brasileiros,
da mais infeliz das brasileiras.

[ Valerio Oliveira ]

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