FC brasuca no Valor

Valor

No jornal Valor Econômico de hoje, um ótimo artigo assinado por Rodrigo Casarin, sobre a invisibilidade da ficção científica tupiniquim.

Mensagem enviada ao jornalista, tempos atrás:

Olá, Rodrigo.
Segue um comentário geral sobre o tema de tua reportagem.
Creio que as respostas a suas perguntas estão todas aí.
Sobre os destaques brasileiros (última pergunta) dê uma olhada no artigo enviado ao Rascunho. Nele eu indico vários livros de autores contemporâneos.
Sobre as ramificações da ficção científica, veja o arquivo anexo.
Um abraço,
Luiz

Depois de duas décadas pouco interessantes, a ficção científica está voltando a viver um bom momento no Brasil.
Quarenta anos atrás, editoras de médio e grande porte publicavam não apenas os clássicos estrangeiros − Asimov, Bradbury, Clarke, Dick, Heinlein etc. − mas também os brasileiros mais talentosos.
Obras-primas de André Carneiro, Jerônymo Monteiro e Rubens Teixeira Scavone (autores da chamada Primeira Onda) foram seguidas, tempos depois, por livros igualmente preciosos de Fausto Fawcett, Braulio Tavares, Roberto de Sousa Causo, Fábio Fernandes e outros autores da Segunda Onda.
Então, algo aconteceu na virada do século. A economia esfriou, os editores perderam o interesse pelo gênero, a qualidade da produção brasileira caiu e a ficção científica passou a ser assunto apenas de fãs e fanzines.
Mas a estiagem parece estar chegando ao fim.
Com a informatização do processo de produção editorial, o custo industrial do livro caiu. Isso promoveu o nascimento de novas pequenas editoras, muitas das quais vêm publicando sistematicamente ficção científica estrangeira e brasileira, de autores da Segunda e da Terceira Onda.
Editoras de médio e grande porte também voltaram a publicar ficção científica, mas apenas a estrangeira. O caso mais bem-sucedido é o da editora Aleph, que tem investido pesado em seu catálogo de ficção científica, relançando os clássicos sem deixar de apostar nos contemporâneos.
Tanto a crítica acadêmica quanto a jornalística, salvo raríssimas exceções, ainda desprezam a ficção científica. Esse preconceito é antigo. Mas até isso está mudando.
Nas universidades tupiniquins, o número de trabalhos acadêmicos sobre obras de ficção científica aumenta ano após ano. A grande imprensa também está destinando mais espaço a resenhas e ensaios.

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