Archive for abril \24\UTC 2015

Valerio Oliveira na revista Zunái

24/04/2015

Zunái

O poeta-editor Claudio Daniel selecionou cinco poemas do Valerio para o novo número da revista.

Na seção Esculturas musicais o leitor encontrará poemas de Antonio Risério, Claudio Daniel, Jorge Lúcio de Campos, Luiz Ariston, Adriana Zapparoli, Filipe Marinheiro, Fabrício Clemente, Fernando Lopes, Ricardo Portugal, Vivian de Moraes, W. B. Lemos, Valerio Oliveira, Lilian Aquino e Alexandre Guarnieri.

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“Pequena coleção de grandes horrores” no LiteraturaBr

24/04/2015

CapaPCGH

Preciosa avaliação de minha coletânea de humor negro, feita pelo escritor Marco Aqueiva, autor de Sob os próprios pelos: seres extraordinários (Patuá).
Para ler a resenha, basta clicar aqui.

“Poética do anacronismo” na revista Pausa

16/04/2015

Pausa

Um artigo-provocação do famigerado Nelson de Oliveira, na revista dos queridos Márcia Costa e Evandro Rota.
Para ler, basta clicar aqui.

“Distrito federal” na revista Germina

13/04/2015

Curupira colorido

O romancista Ricardo Josua resenhou a rapsódia Distrito federal para a revista Germina, das queridas Mariza Lourenço & Silvana Guimarães.
Para ler, basta clicar aqui.

Mensagem do Ademir Assunção

08/04/2015

Curupira-ciborgue

Caro Luiz,

Desde Cidades da noite escarlate (William Burroughs) um livro não me impressionava (assustava, talvez seja um termo melhor) tanto quanto Distrito federal. Genial a maneira como você realizou a simbiose de xamanismo e alta tecnologia. O justiceiro-curupira, vingando o extermínio das forças naturais com requintes de crueldade, a narrativa ambígua (tudo leva a crer que se trata de um game sendo jogado no terreno da hiper-realidade), o narrador inteligência-artificial, enfim, toda a trama e a maneira como foi construída remetem a uma Matrix mais radical e muito mais crítica.

Mais do que um livro muito bem escrito (há longos trechos memoráveis), é um livro muito bem pensado, com uma imaginação vertiginosa. Mais que um livro bem escrito e bem pensado: uma parábola da falência de um modelo de civilização, mais do que um modelo político a ou b, com seus excessos de produção e consumo, inclusive os excessos de produção incessante de realidades. Um trecho em especial me chamou muitíssimo a atenção (entre vários outros): a iniciação da personagem Moema. A fragmentação do corpo, as partes cozinhadas no caldeirão e a recomposição do corpo, ora: isso é rito clássico de iniciação xamânica! Quem conhece os relatos vai perceber. Tenho a impressão que Roberto Piva iria uivar três dias seguidos com teu livro! Para mim, junto com Subsolo infinito e Sozinho no deserto extremo, Distrito federal forma uma trilogia perturbadora. Com uma diferença: Subsolo infinito me parece uma viagem xamânica dantesca, Sozinho no deserto extremo uma ficção científica da pesada, Distrito federal uma crítica arrasadora dos caminhos que estão se anunciando com nitidez assustadora.

Só faria um reparo: acho que poderia ter concluído a narrativa na parte Deus ex machina, usando-a mesmo como um recurso deus ex machina, encontrando um fecho ali mesmo. Pode ser que tenha me escapado algo das suas intenções, mas achei que depois dessa parte começou a se repetir um pouco. Não quero bancar o chato, o estraga-prazer, talvez seja apenas uma percepção equivocada da minha parte. De todo modo, isso não tira a força, a surpresa, o espanto com a engrenagem alucinante que é Distrito federal.

Crossroads (Furio Lonza), Nossa Teresa: vida e morte de uma santa suicida (a despeito de ter sentido falta de um desfecho melhor) e Distrito federal formam o tripé dos livros de ficção que mais me impressionaram nos últimos tempos. Três grandes obras de ficção contemporânea. Parabéns, você conseguiu. E não é a primeira vez.

Um abraço,

Ademir

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Desde que tomei contato com a poesia de Ademir Assunção, nos longínquos anos 90, esse guerrilheiro-outsider se tornou uma figura importante em meu imaginário criativo. Depois fui conhecer suas outras facetas, de jornalista e ficcionista transgressor, de performer e músico atrevido, e elas ampliaram a impressão original. Ademir faz parte do grupo reduzido de xamãs tresloucados que há duas décadas eu admiro bastante.

Então, receber desse mestre mestiço uma avaliação tão generosa (na verdade, duas avaliações, contando também a do feicibuqui, reproduzida abaixo), pra mim é o mesmo que receber um prêmio literário. Suas palavras sobre o Distrito federal e os outros dois romances bateram forte, emocionaram até.

Repito: sempre encarei o trabalho do Ademir como um dos mais relevantes e autoconscientes da cena atual. E não sou o único. Vasculhem a web. Há uma multidão de escritores e artistas de todos os escalões que admiram o cara. Ora, quando um autor do seu nível comenta espontaneamente um trabalho meu, porra, isso é ducaralho.

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O cheiro insuportável da corrupção

Uma entidade sobrenatural ocupando o corpo de um hospedeiro natural passa a executar todos os corruptos que consegue encontrar.

Para ser mais exato: um curupira, ocupando um corpo humano, ou melhor, meio humano, meio biônico.

Essa entidade tem um faro infalível para identificar os corruptos.

Seu faro está acima dos ritos jurídicos dos humanos.

Um humano é falível, pelos mais diversos motivos: um juiz do supremo tribunal federal pode absolver um notório corrupto, por erro ou por conveniência, afinal, um juiz do supremo tribunal federal também pode ser um notório corrupto; ou pode condenar um inocente, também por erro ou conveniência, afinal, um juiz corrupto do supremo tribunal federal pode condenar um inocente para encobrir os crimes dos verdadeiros corruptos, inclusive os dele.

O faro dessa entidade, não. É infalível. Ela sente o cheiro do corrupto. E o cheiro do corrupto para ela é insuportável.

Por isso ela parte para a condenação.

E a condenação é a execução sumária do corrupto.

Mas não se trata de uma execução vulgar.

A entidade é um artista. Suas execuções são verdadeiras obras de arte.

Ela eviscera os corruptos.

Com precisão cirúrgica e genialidade artística.

Ela retira os rins, o baço, a bexiga, o pâncreas, o fígado, o intestino grosso e o delgado, os olhos (tomando o cuidado de manter o nervo ótico intacto), os pulmões e o coração do corrupto. Vivo, é claro.

Ela dispõe cuidadosamente todos os órgãos e vísceras ao lado do corpo do corrupto, num arranjo excepcional, verdadeiramente artístico.

Ela faz isso com senadores, deputados, líderes de bancadas, juízes, governadores, fazendeiros, industriais, usineiros, banqueiros, autoridades militares, empresários – somente os corruptos, pois, como já se disse, seu faro é infalível. Nenhum inocente é condenado. Nenhum culpado escapa.

Esse é o jogo, o game, de Distrito federal, novo livro de Luiz Bras. Uma rapsódia genial e assustadora.

Assustadora por quê?

Porque uma gangue de imitadores, sem o mesmo faro e sem o mesmo talento artístico, passa a imitar o mestre.

E aí, não se sabe o que pode acontecer, pois eles podem começar a eviscerar todos os que cometem qualquer tipo de corrupção moral: desde os motoristas que param o carro na vaga de deficientes físicos até os que fraudam a renda familiar para conseguir uma bolsa do Fies para a filha, desde os médicos que receitam determinados medicamentos em troca de benesses dos laboratórios farmacêuticos até os jornalistas que mentem sabendo que estão mentindo, desde gerentes de supermercados que recebem presentes para colocar alguns produtos em destaque nas prateleiras até programadores de rádio que tocam determinadas músicas em troca de festas com mulheres já previamente pagas.

E o pior é que os discípulos, vale repetir, não são entidades extra-humanas, portanto, não possuem o mesmo faro infalível e o mesmo talento artístico do mestre.

[ Feicibuqui, dia 14 de março de 2015 ]

Mais um mistério em Cobra Norato

06/04/2015

Ventania brava

Em maio sairá pela Sesi-SP Editora uma nova aventura na cidade mais estranha do Brasil.