“Pequena coleção de grandes horrores” por Ana Peluso

CapaPCGH

Nem que eu quisesse resumir PEQUENA COLEÇÃO DE GRANDES HORRORES, de Luiz Bras (Editora Circuito, 2014), a um complexo, porém elegante, desconcertante, eu poderia. O livro é mais do que isso. É também, e principalmente, inquietante. Irreverente, irônico, icônico, poético, bem-humorado, intertextual, inventivo, pós-humano, existencialista até, e talvez por isso tudo um desconcertante não baste. Não espere ler o livro de cabo a rabo, como se fosse um conjunto de relatos cheios de lugar-comum. PEQUENA COLEÇÃO DE GRANDES HORRORES está longe do lugar-comum e das saídas prontas e facilitadas. Cada conto (micro ou maxi) é uma porrada, um espanto, como, de certa forma, sugere o próprio título do livro. Há idiomas a serem decifrados. Algumas sementes de DISTRITO FEDERAL (do mesmo autor, Editora Patuá, 2014) estão lá. É difícil deixar um conto e passar ao próximo, e do próximo ao próximo, pois todos têm universos muito próprios, estruturas que se definem muito bem no imaginário do leitor, e o que eu mais aprecio em literatura: personagens e situações nada convencionais. O resultado disso é que você vai ficar preso ao livro, e mesmo quando finalizar sabe que sempre vai retornar. Comigo, por exemplo, algumas estórias (ou seriam histórias?) me chamam para serem relidas já, de imediato, de forma que, se houver algo urgente a ser tratado comigo, encabece o rol de espera, pois no momento me encontro boquiaberta e pensativa, sem muita reação ao dito mundo real, no final das contas tão bem representado aqui pelo ideário fantástico do autor.

[ Ana Peluso é autora da coletânea 70 poemas, lançada em 2014, pela Patuá ]

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