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Livro dos novos

05/08/2014

Livrodosnovos

Essa foi a mais provocativa e transgressora apresentação que eu já escrevi de um livro. Na tentativa de salvar algumas almas jovens do inferno da boçalidade, preferi oferecer um prefácio-manifesto, quase um antiprefácio, em vez de um prefácio chapa-branca, pasteurizado.

Sussurro telepático endereçado a dezesseis jovens ficcionistas

Queridos alquimistas da palavra, desembarquem, juntem-se a nós. Vocês estão chegando na melhor hora. Que é também, ironicamente, a pior hora. Agucem os cinco sentidos. Não sejam ingênuos.

Não há atividade mais obsoleta, neste início de século 21, do que a do ficcionista. De modo geral, toda a literatura está caminhando para a extinção. Escrever e ler poemas, crônicas, contos e romances não é mais tão importante quanto já foi nos séculos passados.

A atual explosão do mercado editorial – são centenas de eventos literários no mundo todo, milhares de escritores e editores, milhões de lançamentos, bilhões de exemplares – é o inesperado suspiro final da grande criatura. Do leviatã letrado. Que daqui a pouco começará a morrer.

A onipotência da literatura foi sugada por outras tecnologias. Pelo rádio e pelo cinema, em seguida pela televisão. Histórias poderosas continuam sendo contadas, mas as melhores não estão mais nos livros. Estão nas telas de cinema. Estão nos games. Estão principalmente nas séries produzidas para a tevê, imbatíveis.

O audiovisual passou a perna no meramente literário. Aproxima-se, agora, a realidade virtual. Em pouco tempo seremos convidados a participar das histórias. A interagir com os personagens. Isso irá abalar ainda mais os alicerces da literatura clássica, escrita apenas pra ser lida.

Queridos alquimistas da palavra, desembarquem, juntem-se a nós. Vocês estão chegando num momento magnífico. Que é também, ironicamente, um momento complicadíssimo.

Há uma revolução sendo gestada nos principais centros de pesquisa do mundo. Uma revolução que mudará pra sempre nossa espécie. Para o bem ou para o mal.

Quando essa revolução estiver alcançando o ponto máximo, no final deste século, tudo indica que a literatura já terá sido encostada, feito um gadget sem bateria. Não sejamos ingênuos. Vocês, eu, meus colegas de geração, estreantes e veteranos, nós todos somos a última legião antes da queda do Império Romano. Os últimos tricerátopos antes da extinção dos dinossauros.

Hoje as histórias mais inquietantes não são contadas por contistas e romancistas. Elas são contadas por bioengenheiros e tecnocientistas. São narrativas sobre a revolução pós-humana que se aproxima. Sobre a onda que, violenta, quando cobrir o planeta mudará drasticamente a configuração da realidade.

Audaciosos Ana e Arthur, Celso e Cristiano.

Intrépidos Daniel, Dédallo, Felipe Kryminice e Felipe Munhoz.

Atrevidos Francine e Guylherme, Marco e Mellissa.

Destemidos Renan, Rodrigo, Walter e Yuri.

Desliguem a barulheira circundante, mandem à merda a vidinha social literária. Vamos conversar sério.

O grande desejo do ser humano sempre foi prolongar o máximo possível a vida saudável e produtiva. Vale dizer, prolongar o máximo possível a consciência e todo o seu conteúdo: personalidade, memórias, afetos etc.

A maior parte das crenças religiosas que defendem a doutrina da alma imortal nasceu pra atender esse desejo tão humano de perpetuação eterna da consciência. Mas, o que antes somente a religião se atrevia a prometer – a vida eterna da consciência saudável e produtiva –, agora é a ciência que está ambicionando realizar.

Para alcançar esse objetivo, o ser humano está disposto a modificar seu código genético e, se for necessário, unir-se fisicamente às máquinas. Em breve o Homo sapiens se transformará no Homo ciberneticus. Seremos todos ciborgues.

Essa convergência geral de organismos e tecnologias, a ponto de se tornarem indistinguíveis, colocará o pós-humano no centro do palco cultural. Será o fim do período de desenvolvimento social e técnico batizado de Humanismo.

Será o fim da literatura.

Queridos alquimistas da palavra, desembarquem, juntem-se a nós. Vocês estão chegando na melhor hora. Que é também, ironicamente, a pior hora.

Nos últimos quinze anos, o número de eventos literários importantes cresceu no Brasil.

Ao lado das tradicionais Feira do Livro de Porto Alegre (iniciada em 1955), Bienal Internacional do Livro de São Paulo (1970), Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo (1981) e Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro (1983) hoje nós temos a Flip – Festa Literária Internacional de Paraty (2003), o Flop – Fórum das Letras de Ouro Preto (2005) e a Fliporto – Festa Literária Internacional de Pernambuco (2004), além de outras feiras e festas de menor envergadura, realizadas no país todo.

O mesmo pode ser dito a respeito dos prêmios literários. Hoje, além dos Prêmios Literários da Academia Brasileira de Letras, que inclui o tradicional Prêmio Machado de Assis (iniciado em 1941), e do Prêmio Jabuti (1958), nós temos o Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon (1999), o Prêmio Portugal Telecom (2003), os Prêmios Literários da Fundação Biblioteca Nacional (2008), o Prêmio São Paulo de Literatura (2008) e o Prêmio Moacyr Scliar (2011).

Mas o aumento do número de eventos e prêmios literários, de romances e coletâneas de contos e poemas publicados, de leitores, de novos autores e novas editoras, talvez não signifique muita coisa.

Matérias como O vazio da cultura (ou a imbecilização do Brasil), publicada na revista Carta Capital de 6 de fevereiro de 2013, confirmam o ceticismo de inúmeros críticos culturais da imprensa e da universidade. Em sua opinião, apesar do crescimento econômico, apesar de boa parte dos brasileiros terem finalmente escapado da situação de miséria, a literatura brasileira – nossa cultura, de modo geral – está passando por uma das piores fases de sua história.

A grande maioria dos escritores, editores e leitores brasileiros não concorda com essa avaliação pessimista. O crítico literário João Cezar de Castro Rocha ironizou a postura da Carta Capital e de outros céticos entediados, batizando-a de melancolia chique.

Não me considero um melancólico chique. Acredito que o sistema literário tupiniquim prosperou muitíssimo nas últimas décadas. Os gráficos e as tabelas falam por si sós, a estatística não mente.

Mas há um fenômeno de contenção que está sendo negligenciado.

A bem-vinda enxurrada de bons autores e livros brasileiros, de ótimos eventos, prêmios etc., ainda assim está sendo freada por um tsunami estrangeiro. Por uma vigorosa reação externa, e a pororoca resultante não nos favorece nem um pouco.

Agora que o Brasil finalmente começa a produzir em quantidade e qualidade, o resto do planeta – principalmente o mundo anglófono – parece estar se mobilizando pra nos sufocar. A abundância de literatura estrangeira circulando hoje no país diminui o saldo positivo a nosso favor.

Pra quem gosta de um bom desafio, de uma briga feroz, que momento seria melhor pra começar a escrever e publicar?

O cenário atual – caótico, eufórico, bizarro, perigoso – pede guerrilheiros, alquimistas, xamãs. Pede escritores tão viciados na fantasmagoria literária que, se parassem de escrever, implodiriam.

Mas fiquemos alertas.

Estamos vivendo um momento sem paralelo na história de nossa longa evolução. Depois de humanizar praticamente todo o planeta, o ser humano está começando a modificar estruturalmente o próprio ser humano.

A primeira grande revolução tecnológica aconteceu ainda na pré-história, com a invenção da linguagem. A segunda, com a invenção da escrita. Nossa espécie nunca mais foi a mesma, sua realidade expandiu-se.

Com a invenção da escrita, nosso poder de memorização foi multiplicado infinitamente. A memória humana, até então restrita aos genes e ao cérebro, projetou-se pra fora do corpo e foi parar também nas placas de argila, nos pergaminhos, nos livros. Houve uma explosão de criatividade em todas as áreas do conhecimento.

A terceira revolução tecnológica, a onda pós-humana, promete um salto evolutivo tão radical e inquietante quanto o provocado pelas duas revoluções anteriores.

Os primeiros ciborgues – indivíduos com próteses eletrônicas internas ou externas – já circulam entre nós há pelo menos duas décadas. Interfaces cérebro-máquina-cérebro já permitem que tetraplégicos conectados a um exoesqueleto voltem a se movimentar.

Drogas da longevidade e da inteligência estão aumentando a expectativa de vida das pessoas e aprimorando sua capacidade cognitiva. Espera-se que as próximas gerações vivam saudavelmente duzentos anos ou mais.

Implantes oculares e auditivos já permitem que cegos enxerguem e surdos escutem. Em breve eles enxergarão e escutarão muito melhor do que as pessoas com visão e audição normais.

Implantes neurais também estão transformando a web e o celular numa extensão de nossa mente. Conversar com outras pessoas em breve será uma forma tecnológica de telepatia.

Nano-robôs estão sendo desenvolvidos para patrulhar nossa corrente sangüínea em busca de possíveis doenças. Essas nanomáquinas serão capazes, por exemplo, de exterminar células cancerígenas bem antes da formação de um tumor.

Até o final do século, a engenharia genética promete dar à luz bebês mais saudáveis e resistentes, futuros adultos livres de doenças e deficiências herdadas. Mas essa manipulação do código da vida poderá criar diferentes castas genéticas, umas mais aperfeiçoadas do que as outras, fato que provocará um novo capítulo na velha luta de classes.

O entrelaçamento de esferas antes fisicamente separadas – o natural e o artificial, o corpo e a máquina – traz inéditas implicações filosóficas e antropológicas.

Durante milênios as pessoas usaram o corpo como suporte cultural, decorando-o com tatuagens, pinturas, brincos, pulseiras, anéis, alfinetes, piercings etc.

Em 1958 o primeiro marca-passo invadiu o corpo de um paciente com um sério problema cardíaco. Hoje os implantes já tomaram a última fortaleza de nossa humanidade: o cérebro.

Complexos pares dialéticos estão surgindo no horizonte: robótica e livre-arbítrio, clonagem humana e bioética, inteligência artificial e autoconsciência…

A grande questão é: quando o novíssimo Homo ciberneticus terminar de modificar completamente o antigo Homo sapiens, que civilização emergirá dessa estranha metamorfose?

Uma civilização esquizofrênica e fora de controle, tiranizada pelo determinismo tecnológico? Ou uma civilização mais equilibrada e pacífica, capaz de abolir a estratificação social?

Audaciosos Ana e Arthur, Celso e Cristiano.

Intrépidos Daniel, Dédallo, Felipe Kryminice e Felipe Munhoz.

Atrevidos Francine e Guylherme, Marco e Mellissa.

Destemidos Renan, Rodrigo, Walter e Yuri.

Silenciem a sinestesia reinante, mandem à merda a burocracia do mercadinho editorial. Vamos conversar sério.

Vocês têm talento. Muito talento. Os contos reunidos nesta coletânea deixam isso bem claro. Vocês, ainda tão jovens – não se esqueçam de que as novas gerações viverão no mínimo cento e cinquenta, duzentos anos –, já sabem expressar poeticamente, sem piedade, a problemática condição humana.

Vocês são os novos alquimistas do aleatório, do desordenado aqui-agora. Já aprenderam, brigando nas ruas ou na universidade, que “toda a arte é um jogo com o caos; toda a arte está sempre avançando cada vez mais perigosamente para o caos e resgatando de suas garras províncias cada vez mais extensas; se existe qualquer progresso na história da arte e da literatura, então esse progresso consiste no crescimento constante dessas províncias; dessas magníficas províncias arrancadas do caos” (Arnold Hauser, História social da arte e da literatura).

Vocês são os novos guerrilheiros da irrealidade cotidiana, as narrativas aqui reunidas atestam isso. Vocês já sabem denunciar, com raiva ou afeto, os males individuais e sociais, os muitos níveis da estupidez humana.

Bem-vindos à confraria dos demônios descontentes. Agora somos irmãos, conversamos por telepatia. Com vocês, quero compartilhar minhas Três Leis da Integridade Criativa. Essas leis foram feitas por mim, para mim. São de uso pessoal. Mas gostaria que vocês também as assumissem para si.

1ª lei: Escrever apenas o que me dá prazer escrever.
2ª lei: Escrever textos com alta densidade poética, exceto quando isso contrariar a primeira lei.
3ª lei: Agradar o maior número possível de leitores, desde que tal desejo não entre em conflito com a primeira ou a segunda lei.

Vocês têm talento de sobra. Usem com sabedoria. Continuem escrevendo sobre as picuinhas domésticas, a periferia e a favela, os shopping centers, a infância, as redações de jornal, as transações financeiras e amorosas. Mas não esqueçam de escrever também sobre o tema mais importante do momento: o pós-humano.

Hoje, por meio dos avanços da ciência e da tecnologia, temos o poder de alterar fisicamente nossa própria espécie. As próximas gerações viverão mais e melhor, graças à manipulação genética, aos implantes eletrônicos e às drogas da longevidade e da inteligência?

Trabalhem essa interrogação.

Somos pequenos, mas ansiamos pela grandeza sobre-humana. Mesmo que a simples imagem dessa grandeza, de qualquer grandeza, provoque calafrio e bater de dentes.

Continuem escrevendo sobre os becos e os botecos, os cortiços e as coberturas de luxo. Mas não deixem de escrever também sobre o cibercaos que se aproxima. Tornem-se transgênicos, tornem-se ciborgues. Talvez essa metamorfose consiga salvar da extinção a literatura. Ou ao menos sua melhor parte.

Somos viajantes do tempo. O futuro pós-humano já chegou, só está mal distribuído. Afiem os cinco sentidos. Em certas partes do mundo, hoje já é amanhã.

Luiz Bras

Livro dos novos
Organização: Adriana Sydor
Travessa dos Editores

Sobre o “Paraíso líquido”

21/01/2014

Nuvem

Cuiabá, primavera-verão de 2013

Olá, Luiz!

Perdão pelo atraso excessivo, mas as coisas fora da literatura aqui foram bem atribuladas, tive pouco tempo pra ler nessas últimas semanas, e como queria atrasar a resposta pra depois da conclusão do Paraíso líquido, acabei deixando seguir.

(…)

Falando com o Cesar Silva aqui no Facebook, acabei comprando os Anuários de 2010 e 2011, depois quero ler a tua entrevista lá. E também assinei o jornal Rascunho pra acompanhar as novidades do mundo literário. Eu sei que tem em PDF de graça na internet, já abri algumas edições aqui, mas parece que no computador eu sempre encontro motivos pra não ler ou postergar indefinidamente. Agora acompanharei tua coluna lá com afinco.

Eu tinha separado o link com os minicontos do Lama aqui pra ler, mas ficaram nessa mesma encruzilhada do Rascunho, então fico contente em saber que vai sair em papel, lerei com gosto. E o link da resenha do Lanark, do Alasdair Gray, me deixou salivando pra comprar! Se um dia eu falir você será um dos culpados, Luiz. hehehe

Agora, quanto ao Paraíso líquido.

O que salta aos olhos, de cara, é uma característica do teu texto que comentei contigo pessoalmente já: a simplicidade. De uma forma boa, claro, uma simplicidade que pega o leitor pela mão e passeia pela história. É claro que a natureza de alguns contos distorceu essa simplicidade, nem tanto temática mas estruturalmente, transformando-os em contos que eu provavelmente não largaria na mão de alguém não habituado à leitura (o próprio conto Paraíso líquido me parece um bom exemplo), mas é claro que isso tem lugar dentro de um livro que, na minha opinião, é um caldeirão experimental. Você brincou e brincou aqui, mas a diversão é nossa.

Me parece natural dizer que gostei de uns mais que de outros, embora todos tenham sido muito bons. O primeiro, particularmente, explodiu minha cabeça. Primeiro contato é uma pequena obra-prima. Por vários motivos. Em primeiro lugar pela linguagem fugaz e entrecortada de criança, parágrafos curtos, palavras simples, sequência ordenada. A maneira como é narrada é verídica, cativante, como se saída mesmo da boca de uma criança. O mistério do conto, a existência do alienígena, não é colocado em dúvida por um segundo que seja até o momento inegável da revelação. Por mais que os sinais estejam lá, escancarados, o garoto não se deixa convencer, se prende a essa idealização infantil da existência do extraterrestre. Achei muito realista. E pra completar: a história paralela do avô no hospital, que dá uma carga dramática fodida ao conto, as considerações da criança a respeito da notícia não chegar, do que pode estar acontecendo… Tudo funciona. O final é demais, o protagonista se tornando amigo do oriental, o esforço para não chorar na frente do novo amigo. Dá pra entender fácil por que você escolheu esse conto pra abrir o livro. Ele é uma porrada na boca do estômago, de tão bom.

Do Memórias gostei dos diálogos, muito bem feitos. Você apanha essa sonoridade na fala que parece natural. Dá pra acreditar mesmo que a mãe tá vivendo numa conspiração desgraçada, e no fim você vê que a menina estava certa. Confesso que encaminhando pro fim previsto a história ficaria apenas boa, mas com a adição do sub-sub-plot você deu uma reviravolta bacana, deixou marcante.

O Nuvem de cães-cavalos ilustra bem como você consegue trabalhar com o tema do suspense sutil, eu diria, pois prende mas não causa aflição, pelo menos não aquela aflição de segurar no braço da poltrona. Me agrada muito a forma como você brinca com o leitor, brinca com as convicções que ele construiu a partir da confiança depositada no personagem ou no narrador, constantemente desconstruída. E gosto da finalização sem desfecho, sem o connect, aberta. Lembra o Cortázar. Você pinta o quadro, dá todas as pinceladas pro cara entender mas não emoldura, é aquela coisa que tá ali, na tela, mas vive nesse constante perigo da expansão, de nanoformigas prestes a continuar a pintura para o canvas molecular criado na cabeça do leitor.

Pirei no Daimons. Os brinquedos assassinos, maniqueístas, vivos. Novamente, a trapaça com o conforto do leitor, que é estimulante. O vai e vem, que é explorado em vários contos aqui. Os argumentos dos brinquedos, a forma como se esforçam para levar as mortes adiante, a menção a uma organização em que há vários outros brinquedos bem-sucedidos; tudo isso constrói aquele universo rico que é explorado indiretamente no conto, e agrega.

Aço contra osso foi uma loucura só. Lembrei do Borges em suas charadas cíclicas, nos seus labirintos. Ambientes inspirados, diálogos ágeis, misteriosos na medida certa, um final surpreendente, também sem desfecho definitivo. Muito evocativo.

Do Nostalgia eu confesso que curti muito mais o começo que o fim. Gostei tanto do começo, da fuga e do mistério de Vitória, que imaginei um romance todo surgido a partir disso. Mas quando começa a parte mitológica do conto, brincando com deuses e conceitos divinos escritos de forma bíblica, versicular, eu fui um pouco afastado do conto. É muito bem escrito, obviamente, mas não me empolgou como o início, mais tradicional. Talvez isso se deva ao meu desconhecimento do mundo de Cobra Norato, que sei que você desenvolveu em outros lugares.

Déjà-vu foi uma loucura ler na sequência, um quebra-cabeças maluco e denso. Depois que li ele de trás pra frente, na forma cronológica dentro do conto, consegui ligar os pontos que ficaram em aberto. Gostei dessa experimentação estrutural.

A Carta do fim do mundo achei divertida demais, as referências malucas que você insere, todo o caráter nonsense da escrita e o fato do narrador se reconhecer como um verdadeiro babaca.

Cruzada foi outro que me derrubou da cadeira aqui. Que conto foda! Que coisa evocativa! Fiquei ligado na história, naquele ambiente de morte e guerra, na loucura. A descrição é muito efetiva em passar o desespero. “Não demora muito e a matilha do cão negro aparece para reclamar sua cota de carne humana. Saem do lixo e das ruínas, esses animais descontrolados. Chegam para chafurdar no sangue, nas omoplatas e no fígado dos mortos. Chegam para chupar os globos oculares.” Puta merda! A desesperança se completa com a aparente despreocupação total nos assuntos humanos da criatura que você criou.

Futuro presente imagino que tenha saído no Portal da Fundação, você toca nos conceitos do Asimov. Quando a história tem bastante cortes temporais como essa ela engrossa, ganha corpo, ganha background.

Singularidade nua me lembrou em parte Ender’s game, talvez porque eu tenha acabado de ler e trate de crianças também. Achei um conto bem ousado, muita coisa acontecendo. Gostei como os três foram convencidos, tem sacadas muito inteligentes.

Protagonistas e figurantes é outro dos favoritos. O narrador bocudo, que despreza os personagens, que narra ciente de tudo, que vai revelando conexões impensadas, que vai abrindo a narrativa; os cortes são muito pontuais; o cenário é empolgante. Me lembrou um pouco o William Gibson, e curto muito a praia dele.

Já o último, Paraíso líquido, confesso que é uma incógnita. Eu li esse conto de cabo a rabo, às vezes amando e às vezes odiando. Me pareceu uma experiência bem ousada, uma fábula para adultos. Eu tentava arrancar sentidos durante a leitura, e tirei vários, mas todos eram confusos e incertos, e a narrativa seguia num aparente descaso, em cenas aleatórias que iam se juntando e ganhando corpo no fim, com a aproximação da nuvem. Mas ao mesmo tempo que queria amassar o livro eu continuava lendo, preso na narrativa simples e confusa e contraditória. Segui a saga de Líquido e o fim simbólico, místico, cíclico, me deixou encucado. Foi aquela coisa de não saber realmente o que pensar, mas me deixou refletindo. Não sei qual era o seu objetivo com essa história, mas ela provoca alguma coisa, não sei bem o quê, mas provoca.

No fim reafirmo o que disse no começo: o livro é um caldeirão experimental. É um apanhado de contos que versam sobre grandes temas. Foi uma viagem meio amalucada, meio incerta, meio à deriva, mas acredito que foi exatamente a sua intenção: desconcertar o leitor, provocar, empurrar e puxar, sacudir. Dar uma refeição de alto nível, uma amostra das discussões existentes no universo da FC com a sua roupagem, seu estilo, sua marca. É uma obra que satisfaz, que confunde, que provoca.

Juntar a experiência deste livro com a do Sozinho no deserto extremo me deixou bastante curioso pra conhecer o seu novo romance (lembro apenas que você comentou ser numa temática meio cyberpunk; aliás, tem algo previsto já?) e também me fez querer conhecer muito o trabalho anterior, como Oliveira, de que conferi comentários em alguns lugares, o Poeira: demônios e maldições.

É isso, Luiz.

Sigo aqui, lendo e conhecendo mais dos mestres da literatura, engordando o referencial, e escrevendo também. Em outra ocasião te mando alguma coisa que bolei nos Flash fiction. Mas acho que este e-mail em particular já está grande que chega.

Um grande abraço!

Ricardo Santos

Sobre o “Sozinho no deserto extremo”

28/09/2013
Anjo

Conheci Ricardo Santos na oficina de criação literária no Sesc de Cuiabá. Seus contos curtos, sempre inventivos e inquietantes, logo impressionaram o oficineiro e os demais oficinandos. Ricardo tem talento de sobra. O rapaz não apenas se destacou na oficina, como provou que já é um ficcionista pronto pra guerra. Anteontem, recebi um presente fabuloso: a mensagem abaixo, que me deixou no chão, nocauteado. Fiquei sem fala. Ainda estou afônico. Valeu, camarada!

Cuiabá, primavera de 2013

Bras, meu caro,

(…)

Já comentei antes que algumas analogias e construções imagéticas tavam muito fodas. Aquela da “fumaça cartilaginosa” me pegou de jeito. O que reparei é que o livro está inteiramente povoado dessas passagens. Nas descrições de cenários, nas divagações do Davi/narrador, em tudo. São breves momentos que fazem o leitor dar aquele risinho de satisfação, sabe? Tipo “putz, que foda”. Isso só enriquece. É chover no molhado falar que o livro tá bem escrito e com aquela maturidade de autor experiente, que sabe exatamente pra onde está levando a narrativa. Fico imaginando se isso não é uma característica das grandes obras, dos grandes autores, esses momentos sublimes dos risinhos povoando as páginas, essas sacadas fodas. O livro tem muito disso. Tem um capítulo específico perto do fim que você abre falando que as pessoas eram como bolinhos de carne esperando pra se comerem, achei genial.

Você comentou da boneca, a Graça. Puta merda, depois que ela aparece na história parece roubar o palco. É sensacional ela ganhando vida na cabeça do Davi, foi muito bem construída. Achei foda a forma como ela morre, achei foda você voltar e contar a história dela, contar o pós-morte, quando ela visita o cemitério. Tudo nessa boneca ficou fantástico.

Lembro que você comentou que o pessoal do mainstream achou que o livro tinha muita ação e o pessoal do gênero achou ele muito parado. Entendo o ponto de vista de ambos os lados, mas acho muito problemático enxergar o livro por esse viés do que faltou; é justamente esse meio-termo entre as ações (comer, fugir, tacar fogo, enfrentar os adversários, conversar com Estela) e as divagações, as contemplações, toda a construção da personalidade do protagonista e seus devaneios e seus flashbacks que dão o tempero do livro, que transformam ele numa coisa única. Da forma que está você criou um negócio que ecoa, que significa, e não fica na cilada do filme blockbuster ou do monólogo interminável. Achei genial esse balanço, mas compreendo que a maioria das pessoas esteja acostumada a obras que se posicionam em um dos extremos. Talvez um leitor iniciante ou não tão empenhado se incomode com a pouca quantidade de diálogos. Eu particularmente achei foda!

A forma como você deixa vazar todo esse referencial seu facilitou a conexão com o personagem. No fim, quando a gente já tá tão afeito a ele, a seus raciocínios e reações, parece difícil largar. Depois de acabar o livro fiquei com aquela sensação de vazio, de saudade. Não são todos os livros que deixam essa impressão. O mundaréu de referências na verdade até me fez querer reler o livro em um momento futuro com um caderninho do lado, pra pescar todas e ler/assistir/ouvir o que não conheço. Quanto ao Davi em si, eu diria que o mais impactante nele é o quanto parece real. As coisas que ele faz, no que pensa, as considerações sobre sexo, sobretudo, quando fala com a estranha no telefone e quando acha a menina, essa obrigação de paternidade com a criança, as defesas e reações com o magrelo, tudo me pareceu realista, como um ser humano agiria mesmo, no que pensaria, como lidaria com essa situação extrema e opressiva da solidão total, o instinto de sobrevivência. Nada soa forçado, nem mesmo as pirotecnias, tudo evolui naturalmente. Essa loucura, essa descida gradual. E organizar a história do jeito que você fez ficou ótimo pois deu ritmo à trama, esse vai e vem no tempo. A narrativa não linear funciona. Outra coisa interessante: isso me impediu de prever a narrativa; não antecipei o fim do livro em momento algum.

Um capítulo que me marcou foi o da Estela, relatando como aconteceu com ela o evento, quando ela contava até cinquenta no esconde-esconde. Ficou absurdo. Triste mesmo. E exemplifica o que eu disse da narrativa não linear; apresentar essa origem depois que já estamos habituados à personagem transforma o relato num negócio com muito mais peso.

Outro capítulo marcante foi aquele em que o magrelo e os dois gordos tão atrás do Davi e ele sobe na árvore pra se esconder: que capítulo tenso! Você só revela onde ele tá escondido no fim. A narrativa prendeu, funcionou, e fora isso a metáfora gritante do cara chegar com um lança-chamas, alguém que controla essa fúria natural que permeia todo o livro, justo o antagonista libertando um jorro calculado do elemento que parece (deveria, ele crê) pertencer a Davi.

Gostei do fato de não explicar o que acontece, o evento em si, não é necessário. Gostei da escalada da linguagem poética/metafórica no fim, quando você sente que o Davi está mesmo se habituando ao pensamento fantasioso. Gostei do fato de não haver um fim propriamente dito. Quando você chega ao último capítulo (Fome) já está tão arrasado por essa exploração da solidão no mundo que retroceder ao momento pré-evento soa até como tortura, uma tortura poética, e aí você vem e me fecha com “O maldito silêncio caindo como flocos de neve ou pétalas de rosa, cobrindo a cidade, o mundo. Um sólido dilúvio de quietude”. SÓLIDO DILÚVIO DE QUIETUDE: PUTA QUE PARIU!!!!!!!!!!!! Sério mesmo, que fechamento.

Sobre o crescimento do Davi com o fogo, o envolvimento, o ápice ao queimar São Paulo (que imagem impactante), o pedido da menina: essa gradual evolução da obsessão ficou não só legal como metafórica, mas também volta a uma coisa que eu tinha comentado contigo antes: como a primeira frase e o primeiro parágrafo do livro são belos, fortes. Na verdade, só dá pra apreender a verdadeira brutalidade desse primeiro parágrafo quando terminamos de ler a obra; aí sim se percebe como a malandragem de abrir com isso é na verdade muito mais significativa, simbólica, do livro como um todo. Você cospe a filosofia do romance em poucas linhas, brinca, dá toda uma ideia do macro naquele micro. É a coisa da maturidade, me parece: a concisão prensada numa pequena bala radioativa no primeiro tijolo textual: toma, leitor!

Enfim, Luiz. Já deu pra perceber que eu gostei muito. Confesso que não li tão rápido quanto queria, a intenção era comentar com você ao vivo: mas o livro oferece mais que uma leitura rápida, ele tem todo esse recheio que pode ser absorvido se você ler com calma, deixar o negócio rastejar pra dentro da sua cabeça. E não tem nada que eu não tenha gostado ou possa falar que alteraria. Sempre respeito as opções do autor, até comentamos isso: se você começa a opinar que podia alterar aqui e ali, porra, é outro livro, então senta e escreve o teu! Gostei, opinião sincera, mexeu comigo. É um prazer ver que esse tipo de coisa está sendo feita na atualidade aqui no Brasil, e me parece que devia ser mais valorizada do que é. Se bem que vejo muita gente admirando e comentando o teu trabalho, então que bom! Mais um leitor aqui. Agora aguardo o próximo romance, e enquanto isso tenho o teu livro de contos pra ler e outras coisas antigas, já que você produziu tanto.

Parabéns. Com o Sozinho você conseguiu, pelo menos com este leitor, o anseio de todo escritor: a entrega absoluta, a imersão, a vivência em conjunto com a narrativa. Podia falar mais, mas já falei muito.

Abraço,

Ricardo

Um livro (quase) secreto

25/05/2013

O silêncio era feio e o desespero também.

De toda essa embrulhada o pensamento dele sacou bem clarinha uma luz: os homens é que eram máquinas e as máquinas é que eram homens.

Mário de Andrade, Macunaíma

Capa Máquina Macunaíma

Maquinismos. Maquinetas.
Maquinaria. Mecânica celeste.
Mecânica quântica.
Mecatrônica.
De quantos mecanismos
são feitas nossas
maquinações mentais?
Cuidado, camarada,
a Máquina Macunaíma
cresceu e escapou.
Dizem que é a irmã caçula,
não menos perigosa,
da magnífica Mnemomáquina,
de Ronaldo Bressane.
Impossível discordar…

[ Um livro (quase) secreto porque foi publicado pelo próprio autor. Um livro (quase) secreto porque foram impressos apenas cinqüenta exemplares. Um livro (quase) secreto porque não estará nas livrarias. Um livro (quase) secreto porque esse é o desejo supremo da Máquina Macunaíma. Amém. ]

Um tempo de muitos espíritos

01/07/2012

Faz uma década que deixei de tentar controlar meu cotidiano delirante. Escolhi outra postura: o acaso monitorado. Antes eu tentava agarrar as pessoas e as situações, tentava mantê-las ao meu lado, mas elas sempre escapavam. Era frustrante demais. Agora eu deixo as pessoas e as situações virem e irem espontaneamente, não tento controlar o fluxo de chegadas e partidas. Tento apenas ser um pouco cuidadoso. Monitoro as imediações, procuro prevenir acidentes.

Vivendo numa nuvem de possibilidades auto-regulada, raramente escolho com antecedência o que ler, assistir ou ouvir. Poucas vezes escolho com quem falar sobre literatura, filosofia etc. Enxames de livros, filmes, músicas e interlocutores atravessam a sala e eu abraço os (aparentemente) mais interessantes. Deixo a mágica me surpreender. Às vezes a surpresa é péssima. Por isso não ando armado, não gostaria de ir pra cadeia por atirar em livros, filmes, músicas ou interlocutores ruins. Em geral a surpresa é boa.

Outras vezes a surpresa é mais do que boa. Quando é muito, muito boa — como a resenha Um tempo de muitos espíritos, publicada ontem pelo escritor Daniel Lopes na página do coletivo O Bule —, ela faz valer a pena esse cotidiano delirante, incerto, nessa nuvem de encontros aleatórios.

Rascunho + Zunái

03/05/2012

De tudo o que foi publicado na primeira década do século 21, quais livros entrarão para o cânone brasileiro, quais entrarão para o cânone ocidental? Na coluna Ruído Branco deste mês, no jornal Rascunho, eu apresento meus candidatos prediletos:

Top 15: os novos clássicos da cultura

Mais três minicontos de minha insólita Pequena coleção de grandes horrores foram publicados na web, desta vez na revista eletrônica Zunái, editada pelo poeta Claudio Daniel:

Contra a corrente
Bilhetes
Piquenique

Mais dois pequenos grandes horrores

13/04/2012

Continua crescendo a Pequena coleção de grandes horrores, coletânea de minicontos que estou escrevendo na fila do banco ou na sala de espera do dentista (locais muito apropriados para a criação de historinhas insólitas). Duas novas narrativas bizarras foram publicadas recentemente, uma na revista Lama e a outra no Coletivo Claraboia.

O cheiro do pensamento (ilustrado por Hafaell Pereira)
Temporada de caça (ilustrado por Teo Adorno)

Pequenos grandes horrores

04/03/2012

Faz pouco tempo, pra vencer o tédio da espera, comecei a escrever contos curtos e minicontos na fila do banco, no metrô etc. São histórias breves, de temperamento fantástico ou bizarro, às vezes apenas o esqueleto de um enredo: uma estrutura que, diferente do esqueleto dos vertebrados, não precisa de carne nem músculos pra parar em pé.

Planejo enviar os melhores contos aos jornais e revistas culturais de papel ou online. Dois deles já foram publicados recentemente, um no jornal Rascunho e o outro na revista Lama, ambos de Curitiba.

Bilhetes (ilustrado por Theo Szczepanski)
Sermão contra a imaginação (criado a partir de uma ilustração de Daniel Gonçalves)

Até agora escrevi dez contos curtos e dez minicontos. Continuarei o exercício, sem pressa, até reunir pelo menos umas sessenta ou setenta ficções. Quando chegar a isso, escolherei as melhores para um livro que se chamará Pequena coleção de grandes horrores.

Daniel Lopes: um e-mail

08/02/2012

30.11.2011

Fala, maestro. Estou terminando a leitura do teu Sonho, sombras e super-heróis. Demorei um pouco porque fim de ano é uma correria danada pra mim. Tenho doze salas com quarenta e cinco alunos cada, imagina como não está sendo agora pra corrigir trabalhos e provas, fechar as médias, fechar o quinto conceito, que é o que decide quem vai e quem fica, enfim uma loucura.

Também tenho evitado ler às pressas para não perder as minúcias. A grande questão do livro, a meu ver, é uma questão filosófica: é preferível se aprofundar na existência e encarar a verdade e o desespero, ou é melhor ficar flutuando confortavelmente na superfície, perdido em drogas ou gases da felicidade? Paralelamente ao teu livro, maestro, estou lendo O desespero humano, do Kierkegaard, para quem só o desespero nos dá a possibilidade de uma existência autêntica.

Todos as pessoas, mesmo as mais fúteis e as mais blindadas, estão cercadas pelo desespero, pois, por mais que neguemos, ele cresce entre as fendas, provoca rachaduras em todas as armaduras. Cioran pergunta num de seus aforismos: “Todos os homens são miseráveis, mas quantos o sabem?”

Mais que um romance infanto-juvenil, é um romance filosófico esse teu Sonho, sombras e super-heróis. Nele é colocada a mesma questão que já havia sido posta por Platão no mito da caverna, e mais recentemente no universo pop pelo filme Matrix, no momento em que Neo tem de escolher entre tomar a pílula azul e continuar no sonho, ou tomar a pílula vermelha e ser arremessado pra fora da realidade virtual, onde tudo é mais dolorido, mais cinza, mais desesperador.

Não há escapatória. Kierkegaard diz que “sofrer um mal destes (o desespero) coloca-nos acima do animal, progresso que nos distingue muito mais que o caminhar de pé, pois é sinal da nossa verticalidade infinita ou da nossa espiritualidade sublime”. Se quisermos viver uma experiência plena da nossa espécie, temos de encarar o diabo de frente.

O bom é que em meio a todas essas questões profundas, você coloca muita ação, muita fantasia, reviravoltas e senso de humor, não fica chato, nem pode ser, uma vez que o livro busca o leitor jovem. É imprescindível o foco no enredo, essa categoria tão menosprezada pelos “grandes literatos”. Acertou mais uma vez, chefe. Só posso dizer que formaríamos adultos mas inteligentes, sensíveis e agradáveis, se teu livro fosse mais amplamente difundido, estudado e lido pelos adolescentes de nosso país.

Abração,

Daniel

Amigo, você sabe, não fossem as grandes distâncias e o trânsito infernal desta megalomaníaca megalópole, que sempre inviabilizam até as melhores conversas presenciais, nossa interlocução seria muito mais constante. Já começo a acreditar que São Paulo e seus engarrafamentos-monstro são o melhor estímulo para a difusão do skype entre os escritores. Em breve, conversar sobre Schopenhauer, Kierkegaard, Matrix e outros temas relacionados só será possível nos cafés virtuais.

Luiz

Novo lançamento

15/06/2010

O lançamento da coletânea Paraíso líquido foi muito bacana. Calculei, por alto, umas trezentas pessoas. Mesmo assim, por razões diversas, muitos amigos não puderam ir. Então a editora decidiu organizar mais um lançamento, com coquetel e sarau, agora no Espaço Cultural Terracota.

Dizem que o paraíso não tem preço. Eu acredito. O livro será distribuído gratuitamente a todos que comparecerem ao lançamento. Aconteceu antes, acontecerá de novo (rs).

Mas dessa vez o ponto alto será mesmo o sarau psicomusical em que Claudio Brites, Deise Sales, Ely Guimarães, Thiago Camargo e Tiago Araújo apresentarão trechos do livro, acompanhados de percussão e baixo. A avenida Lins de Vasconcelos vai ferver, por algumas horas o futuro visitará o presente.

Todos os detalhes sobre o evento estão no convite aí em cima. Esperamos você lá.