Archive for the ‘Resenha’ Category

Bons ventos sopram do sul

12/09/2012

Porto Alegre manda (boas) notícias… O jornalista e escritor Luís Dill (gosto muito de Decifrando Ângelo e O dia em que Luca não voltou) apresenta o programa Tons & Letras na gaúcha FM Cultura. Terça-feira passada conversamos sobre meu novo romance, ou seja, sobre a solidão nas grandes cidades, a literatura pós-apocalíptica, o mundo sem ninguém, o fascínio que o fogo exerce em certas pessoas…

Depois, fora do ar, Luís me avisou que o crítico da Zero Hora, Carlos André Moreira, havia resenhado o romance. Fiquei feliz da vida, pois as resenhas desse rapaz, sejam elas favoráveis ou desfavoráveis, valem ouro. Abram bem as janelas, bons ventos sopram do sul. A avaliação de C.A.M. também pode ser lida aqui.

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Sampa deserta

09/09/2012

Neste final de semana prolongado decidimos não sair da capital. Tanta coisa bacana acontecendo aqui… Por que não aproveitar a cidade deserta, sem trânsito?

Não foi bem assim. A cidade vazia nunca pareceu tão cheia. Um exemplo: amargamos uma fila de três horas, em pé, pra ver os impressionistas no centrão. Minha filha até brincou: “Nada mau se todas as pessoas desaparecessem neste exato momento.” Mas logo emendou, caridosa: “Só por uns dias…”

Sorte que na web não está sendo necessário enfrentar fila alguma. Cesar Silva e Paula Fernandes, queridos amigos e interlocutores, escreveram aqui e aqui sobre o novo romance.

Resenha de um conto

26/06/2012

Chegou ao fim o laboratório de ficção científica que eu coordenava no Sesc Belenzinho. Já estou com saudade. Dezenas de contos curtos foram produzidos pelos meus queridos alquimistas da palavra, que exercitaram os mais diferentes subgêneros: cyberpunk, distopia, invasão alienígena, new weird, pós-apocalipse, steampunk, viagem no tempo etc. No final do laboratório, um dos participantes presenteou-me com o que ele mesmo chamou de “tentativa de crítica de um conto de Luiz Bras, que será apresentada para outro grupo”, sendo o outro grupo um grupo formado durante uma oficina de crítica literária. Obrigado pela resenha, Sebastião.

Sob a nuvem de cães-cavalos

Sebastião Paz

O conto cyberpunk Nuvem de cães-cavalos é parte do livro Paraíso líquido, de Luiz Bras.

Nesse conto é narrado o encontro, em público, entre um homem e uma mulher. Mulher-menina de pele meio azulada, cabelo não muito curto, muito negro e muito liso, olhos tristes.

O personagem-narrador não é onisciente e nos faz lembrar do angustiado Bentinho, do Dom Casmurro, de Machado de Assis.

No conto, o fantástico e o psicológico se juntam à ficção científica, e também ao poético: “As meias listradas — amarelo e lilás balançando, se misturando — ressaltam outros sentimentos menos juvenis.” Ou: “Tempo, vida. Vida, tempo. Não conseguia largar essas palavras. Até que uma se impôs. Tempo, tempo, tempo.”

Às vezes, o científico se mescla a esse psicológico-poético-fantástico: “Prazer, medo, excitação: tudo. Neuroquímica. O córtex pré-frontal e o hipotálamo em brasa.”

As seguintes impressões do protagonista em relação à mulher da trama, “Seu olhar maravilhoso me intimidava. Havia intensa inteligência nele e eu sempre tive medo — pavor — de mulheres bonitas e inteligentes”, podem até justificar a solidão de certas celebridades, vistas como que em pedestais, quando na verdade são meros seres humanos carentes. Ou haveria um complexo de inferioridade no personagem-narrador?

Também se pode dizer que existe no conto a questão do duplo. Seriam Bruno e Samuel a mesma pessoa? Seriam nomes de pessoas diferentes? A incerteza é uma tônica nessa narrativa: “Será possível que o louco sou eu?” Ou: “Nádia era um desses pacientes?”

Junte-se a isso o embate entre os dois personagens principais, na tentativa de convencimento ou autoconvencimento. Quando um pretende tentar abrir os olhos do outro para a realidade, recebe a seguinte resposta: “Não seja ridículo. A realidade? Conheço bem a realidade. Quem há muito tempo está cego pra ela é você.”

Segundo Cleusa Rios Pinheiro Passos, titular de teoria literária e literatura comparada da USP, o conto de ficção científica pode também ser fantástico. Tudo depende do tratamento. Para tal mestra, o conto fantástico tem o poder de explodir para além, transbordar dos limites das poucas páginas.

Isso nos leva a dizer que outras abordagens para além deste trabalho dedicado a um dos muitos contos de Luiz Bras são possíveis e até bem-vindas.

Delírios de um autor inventado

08/04/2012

A jornalista e escritora Katherine Funke publicou em seu blogue uma bela crônica sobre a coletânea Paraíso líquido, acompanhada por uma ótima entrevista. Essa é a segunda dobradinha crônica-entrevista da série Entrevista de Investigação. A primeira, publicada no domingo passado, foi com o escritor Renato Tardivo. Atenção ao lema do blogue: “sem pressa e sem tempo a perder”. No dia em que vocês conhecerem melhor Katherine e melhor ainda a literatura de Katherine, verão que esse lema faz todo o maravilhoso sentido.

A FC brasileira está fervendo n’O Bule

29/02/2012

Muitos dos colaboradores da página de cultura O Bule dedicam um carinho muito especial à ficção científica brasileira, a começar pelos seus editores.

A página agora abriga a coluna Fandemônio, de Roberto de Sousa Causo, que escreverá regularmente sobre as diabruras dos fãs e da nossa FC.

Fandemônio é o irreverente neologismo que une a palavra Pandemonium (inventada pelo poeta John Milton pra nomear a capital do inferno, em seu épico fantástico Paraíso perdido) à palavra fandom, que é outro neologismo: a união de fanatic (fã) e kingdom (reino).

Fandemônio nº 1: para deglutir o futuro
Fandemônio nº 2: mapeando um genoma literário

E no blogue pessoal de Rogers Silva, um dos fundadores d’O Bule, foi publicada uma nova resenha da coletânea Futuro presente, da qual participam dezoito autores, entre eles eu e Causo.

Realidades alternativas

Na revista Verbo 21

30/11/2011

Novembro vai chegando ao fim. O ano vai chegando ao fim. Coisas estranhas aconteceram. Coisas maravilhosas aconteceram. Lá longe, no fundo da web, alguém sinaliza em nossa direção. O professor e escritor Thiago Lins escreveu sobre a coletânea Muitas peles na revista on-line Verbo 21, editada pelo escritor Lima Trindade. Para ler a resenha, basta clicar aqui.

Depósito de desatinos

06/10/2011

Muito bacana, também, a resenha de Josué de Oliveira publicada no Depósito de desatinos. Um trechinho:

“Quando a cidade de Primeiro de Abril ganha consciência e passa a agir independente da vontade dos humanos, um grupo de ciborgues precisa enfrentar a situação e tentar restabelecer o controle. (…) Bras imprime um ritmo bem peculiar à narrativa, conduzindo-a com linguagem cuidadosa, apostando na forma para seduzir o leitor. Consegue. Mas não fica só nisso, cria personagens divertidos e os coloca no meio de uma situação que gera interesse.”

Invisíveis. Indizíveis. Inesquecíveis.

23/09/2011

Muito bacana, a resenha de Lucas Rocha publicada no Skoob. Um trechinho:

Primeiro de Abril: Corpus Christi, de Luis Braz, conta a história de uma cidade repleta de personagens interessantes. É um conto rápido, que fala sobre sociedades secretas, códigos binários e a cidade em si, que muda à medida que seus atores principais exercem atos que a transformam. Com alcunhas como Gato de Botas, Chapeleiro Louco e Penny Lane, os personagens principais talvez funcionem como coadjuvantes do exercício de modificação da cidade, esse sim o tema central da história.”

Asa Palavra

20/09/2011

Rita Braga publicou no blogue Asa Palavra – sobre livros, leituras e a busca constante pela palavra exata – uma bela resenha da coletânea Muitas peles. O título da resenha é Mundos e referências.

A grande ousadia

21/03/2011

Roberto de Sousa Causo acaba de publicar na revista on-line Terra Magazine um artigo com esse título: A grande ousadia. Qual teria sido ela, a grande ousadia? Segundo o articulista, a de denunciar na ficção mainstream das últimas décadas o cansaço fabulativo, a repetição de assuntos, e propor, como antídoto ou estimulante, uma visita exploratória a outro manancial narrativo: a ficção científica.

Causo é um dos poucos ficcionistas-teóricos preocupados em historiar o ramo criativo de sua predileção. A ojeriza à classificação histórica, que eu noto na maioria dos escritores contemporâneos, acaba promovendo o esquecimento a curto prazo. Mas talvez o objetivo inconsciente seja esse mesmo: o esquecimento, o fim da História, proposto por Hegel e Fukuyama. É sempre mais fácil e proveitoso repetir as velhas fórmulas quando ninguém está disposto a registrar, catalogar e fiscalizar.

Tendo em vista a questão literária proposta no Convite ao mainstream, Causo apresenta em sua reflexão, com muita propriedade, o contexto das questões anteriores envolvendo a FC. Questões que movimentaram na imprensa críticos do gabarito de Mário da Silva Brito, Antonio Olinto, Otto Maria Carpeaux e Wilson Martins, entre outros. Só por isso já vale a leitura.

De quebra, na seção Drops da mesma coluna, uma notícia que diz respeito ao minidebate realizado aqui, dias atrás:

FC e o Cânone Literário: O jornal inglês The Guardian discute, em artigo de Damian G. Walter, a possibilidade da ficção especulativa vir a integrar o cânone da ficção literária no futuro. O foco se concentra na atual produção inglesa de FC e fantasia, e de como ela deveria ser representada no maior prêmio literário inglês, o Booker Prize: http://www.guardian.co.uk/books/2011/feb/02/science-fiction-literary-canon