Posts Tagged ‘alter ego’

Valerio Oliveira na revista Zunái

24/04/2015

Zunái

O poeta-editor Claudio Daniel selecionou cinco poemas do Valerio para o novo número da revista.

Na seção Esculturas musicais o leitor encontrará poemas de Antonio Risério, Claudio Daniel, Jorge Lúcio de Campos, Luiz Ariston, Adriana Zapparoli, Filipe Marinheiro, Fabrício Clemente, Fernando Lopes, Ricardo Portugal, Vivian de Moraes, W. B. Lemos, Valerio Oliveira, Lilian Aquino e Alexandre Guarnieri.

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Obras completas de Valerio Oliveira

29/03/2015

Quatro capas

A divina comédia, Fausto
Alice no País das Maravilhas
…………..Crime e castigo

Macunaíma, Orlando, Libertinagem
O estrangeiro, Ficções, 1984
…………..As crônicas marcianas

Claro enigma, Grande sertão: veredas
Almoço nu, Solaris, Laranja mecânica
…………..O jogo da amarelinha

A chuva imóvel, A paixão segundo GH
Duna, Cem anos de solidão, Ubik
…………..Antes do baile verde

Stalker, O arco-íris da gravidade
Lanark, A teus pés, Neuromancer
…………..O marquês de Chamilly

Qualquer livro que eu ame é meu
…………..sou eu

A angústia da influência

11/10/2014

Boxeadores

Gira, gira. Agacha. Desliza.
O primeiro jabe apimentado partiu de você.
O segundo, o terceiro… Agacha, gira. Desliza. Gira.
Eu tava quieto no meu canto, misturando meus destemperos.
Fratura exposta nunca atiçou meu apetite.
Juro, eu tava pastelzinho na cozinha,
fritando uns pequenos truques. Até que veio
o golpe cru, muito baixo pra meu paladar sensível.
Em pensamento, você materializou o ringue,
o juiz e a torcida. E me arrastou pra briga.
Agora não reclama, chef. Tá com fome?
Prova esse direto malpassado. Saboroso, não?
Que tal esse cruzado ao molho pardo?
Você sempre foi obcecado por jogos & joguetes.
Nesse tabuleiro de pesos-pesados, o caos e o acaso
lançam os dados, dão as cartas. Viciados, marcadas.
Gira, gira. Abaixa. Desliza. Tá tonto, querido?
Quer um chazinho de hematoma?
Que tal um gancho gorduroso nas costelas,
outro nas costeletas? Abaixa, gira. Desliza. Gira.
Sorte & azar, senhor Sortazar, são os anjos-demônios
do teu jazz infernal, do meu boxe purgativo,
do nosso xadrez celestial. Bate, fracote.
Bate forte, pra sempre. Vida após vida,
brindaremos com taças de sangue.
Vencer por pontos ou nocaute é para os frouxos.
Com você, meu gigante, não me interessa
o xeque-mate. Com você, meu troncho,
eu quero a briga braba, sem perdedor ou vencedor.
Apenas dor. Pancadas eternas ao deus-dará.
Valendo unhada no olho, joelhaço nos bagos.
Um cardápio punk de múltiplos orgasmos.

Eleições

11/10/2014

Duplipensar

Horas de voo

23/09/2014

Horas de voo

Literatura é uma substância dissimulada
que se modifica
de acordo com a quilometragem de leitores
& autores

Para leitor & autor até-dez-mil-horas
literatura é sólida

Para leitor & autor entre-dez-e-vinte-mil-horas
literatura é ora sólida ora líquida

Para leitor & autor acima-de-vinte-mil-horas
literatura é ora sólida ora líquida ora gasosa

Literatura
ora-sólida-ora-líquida-ora-gasosa
confunde demais o leitor e o autor
de baixa quilometragem

O chato é que gente confusa
costuma gritar feito o capeta
nas feiras nas festas
nos redemoinhos sociais

Outro poema de Valerio Oliveira

19/08/2014

Tubarao Valerio

viajantes

no dorso
cinza-escuro
deste singular
tubarão-cidade
a vida é plural
     retinas de outono
     acenam barbatanas
          dentes de inverno
          desconhecem
          a satisfação 

no dorso
titanic-estrela
deste singular
tubarão-cidade
somos cem mil surdos
mudos
     na trilha agridoce
     dos vagalumes
     ninguém é
     de ninguém

          amém

Um poema de Valerio Oliveira

26/07/2014

Quarteto

Os outros

Um sósia é um alter ego?
Um alter ego é um heterônimo?
Um heterônimo é uma persona?
Uma persona é um duplo?
Um duplo é uma máscara?
Uma máscara é um clone?
Um clone é um sósia?
Qual a diferença? Sempre me perguntam,
querem uma boa resposta
mesmo sabendo que uma boa resposta
raramente fala a verdade.

Entre mim e eles, entre nós e os outros,
desconfio que a diferença não está no rosto,
na cor da íris ou no tom da voz.
Está nas entranhas, no fundo
mais profundo do furacão abissal
antigamente chamado de alma.
Está nas crenças, nos desejos,
na diferença entre dilúvio & covardia,
coragem & terremoto.

Um sósia é um alter ego?
Um alter ego é um heterônimo?
Um heterônimo é uma persona?
Uma persona é um duplo?
Um duplo é uma máscara?
Uma máscara é um clone?
Um clone é um sósia?
Qual a diferença? Sempre me perguntam,
mas tentar responder já é mentir
e mentir não é sufocar
todo o brilho do mistério?