Posts Tagged ‘Distrito federal’

Um poema de Thiago Tenório Maciel

19/01/2016

Curupira-ciborgue

Fora da curva

Pudera ser
Homem
Itinerário para as flores.
Incorporar
O saci
E aniquilar
O concreto.
Chacinar os métodos
Os drinques
As máquinas
E vingar a natura.
Pudera ser
Homem
Um facilitador dos bichos.
Embrenhar-se
No mato
Como mistério protetor
Dos grilos
(Ser evocado pelos grilos
Nos ritos mediúnicos).
Pudera ser
Homem
Uma senda.
Pudera ser
Lenda.

[ Belo poema de Thiago Tenório Maciel, após a leitura de Distrito federal ]

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“Distrito federal” resenhado por Tadeu Sarmento

22/12/2015

Distrito federal resenha

De toda a mitologia judaico-cristã, o personagem que mais me interessa é Lúcifer. Mas, atenção: “Lúcifer não é satã (o gênio do mal, segundo a tradição popular). Lúcifer é um eloim igual aos outros e seu próprio nome, Portador da Luz, garantiu-lhe sua indestrutível dignidade de arcanjo” (Édouard Schuré). Pois bem, estava eu admirando as magníficas gravuras de Gustave Doré para o Paraíso perdido, quando o satânico senhor Zuckerberg me avisou que o luciferino escritor Tadeu Sarmento havia publicado na revista Mallarmargens uma incendiária resenha do Distrito federal. Fui conferir e fiquei perplexo. Tadeu tacou fogo em Roma, vomitou lava em Pompeia, devorou os príncipes de Maquiavel, libertou Prometeu do monte Cáucaso, resgatou do inferno os alquimistas. Que mais posso dizer? A devastação foi total. Do mefistofélico palácio do silêncio não ficou pedra sobre pedra.

Para ler, basta clicar aqui.

“Distrito federal” na revista Germina

13/04/2015

Curupira colorido

O romancista Ricardo Josua resenhou a rapsódia Distrito federal para a revista Germina, das queridas Mariza Lourenço & Silvana Guimarães.
Para ler, basta clicar aqui.

Mensagem do Ademir Assunção

08/04/2015

Curupira-ciborgue

Caro Luiz,

Desde Cidades da noite escarlate (William Burroughs) um livro não me impressionava (assustava, talvez seja um termo melhor) tanto quanto Distrito federal. Genial a maneira como você realizou a simbiose de xamanismo e alta tecnologia. O justiceiro-curupira, vingando o extermínio das forças naturais com requintes de crueldade, a narrativa ambígua (tudo leva a crer que se trata de um game sendo jogado no terreno da hiper-realidade), o narrador inteligência-artificial, enfim, toda a trama e a maneira como foi construída remetem a uma Matrix mais radical e muito mais crítica.

Mais do que um livro muito bem escrito (há longos trechos memoráveis), é um livro muito bem pensado, com uma imaginação vertiginosa. Mais que um livro bem escrito e bem pensado: uma parábola da falência de um modelo de civilização, mais do que um modelo político a ou b, com seus excessos de produção e consumo, inclusive os excessos de produção incessante de realidades. Um trecho em especial me chamou muitíssimo a atenção (entre vários outros): a iniciação da personagem Moema. A fragmentação do corpo, as partes cozinhadas no caldeirão e a recomposição do corpo, ora: isso é rito clássico de iniciação xamânica! Quem conhece os relatos vai perceber. Tenho a impressão que Roberto Piva iria uivar três dias seguidos com teu livro! Para mim, junto com Subsolo infinito e Sozinho no deserto extremo, Distrito federal forma uma trilogia perturbadora. Com uma diferença: Subsolo infinito me parece uma viagem xamânica dantesca, Sozinho no deserto extremo uma ficção científica da pesada, Distrito federal uma crítica arrasadora dos caminhos que estão se anunciando com nitidez assustadora.

Só faria um reparo: acho que poderia ter concluído a narrativa na parte Deus ex machina, usando-a mesmo como um recurso deus ex machina, encontrando um fecho ali mesmo. Pode ser que tenha me escapado algo das suas intenções, mas achei que depois dessa parte começou a se repetir um pouco. Não quero bancar o chato, o estraga-prazer, talvez seja apenas uma percepção equivocada da minha parte. De todo modo, isso não tira a força, a surpresa, o espanto com a engrenagem alucinante que é Distrito federal.

Crossroads (Furio Lonza), Nossa Teresa: vida e morte de uma santa suicida (a despeito de ter sentido falta de um desfecho melhor) e Distrito federal formam o tripé dos livros de ficção que mais me impressionaram nos últimos tempos. Três grandes obras de ficção contemporânea. Parabéns, você conseguiu. E não é a primeira vez.

Um abraço,

Ademir

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Desde que tomei contato com a poesia de Ademir Assunção, nos longínquos anos 90, esse guerrilheiro-outsider se tornou uma figura importante em meu imaginário criativo. Depois fui conhecer suas outras facetas, de jornalista e ficcionista transgressor, de performer e músico atrevido, e elas ampliaram a impressão original. Ademir faz parte do grupo reduzido de xamãs tresloucados que há duas décadas eu admiro bastante.

Então, receber desse mestre mestiço uma avaliação tão generosa (na verdade, duas avaliações, contando também a do feicibuqui, reproduzida abaixo), pra mim é o mesmo que receber um prêmio literário. Suas palavras sobre o Distrito federal e os outros dois romances bateram forte, emocionaram até.

Repito: sempre encarei o trabalho do Ademir como um dos mais relevantes e autoconscientes da cena atual. E não sou o único. Vasculhem a web. Há uma multidão de escritores e artistas de todos os escalões que admiram o cara. Ora, quando um autor do seu nível comenta espontaneamente um trabalho meu, porra, isso é ducaralho.

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O cheiro insuportável da corrupção

Uma entidade sobrenatural ocupando o corpo de um hospedeiro natural passa a executar todos os corruptos que consegue encontrar.

Para ser mais exato: um curupira, ocupando um corpo humano, ou melhor, meio humano, meio biônico.

Essa entidade tem um faro infalível para identificar os corruptos.

Seu faro está acima dos ritos jurídicos dos humanos.

Um humano é falível, pelos mais diversos motivos: um juiz do supremo tribunal federal pode absolver um notório corrupto, por erro ou por conveniência, afinal, um juiz do supremo tribunal federal também pode ser um notório corrupto; ou pode condenar um inocente, também por erro ou conveniência, afinal, um juiz corrupto do supremo tribunal federal pode condenar um inocente para encobrir os crimes dos verdadeiros corruptos, inclusive os dele.

O faro dessa entidade, não. É infalível. Ela sente o cheiro do corrupto. E o cheiro do corrupto para ela é insuportável.

Por isso ela parte para a condenação.

E a condenação é a execução sumária do corrupto.

Mas não se trata de uma execução vulgar.

A entidade é um artista. Suas execuções são verdadeiras obras de arte.

Ela eviscera os corruptos.

Com precisão cirúrgica e genialidade artística.

Ela retira os rins, o baço, a bexiga, o pâncreas, o fígado, o intestino grosso e o delgado, os olhos (tomando o cuidado de manter o nervo ótico intacto), os pulmões e o coração do corrupto. Vivo, é claro.

Ela dispõe cuidadosamente todos os órgãos e vísceras ao lado do corpo do corrupto, num arranjo excepcional, verdadeiramente artístico.

Ela faz isso com senadores, deputados, líderes de bancadas, juízes, governadores, fazendeiros, industriais, usineiros, banqueiros, autoridades militares, empresários – somente os corruptos, pois, como já se disse, seu faro é infalível. Nenhum inocente é condenado. Nenhum culpado escapa.

Esse é o jogo, o game, de Distrito federal, novo livro de Luiz Bras. Uma rapsódia genial e assustadora.

Assustadora por quê?

Porque uma gangue de imitadores, sem o mesmo faro e sem o mesmo talento artístico, passa a imitar o mestre.

E aí, não se sabe o que pode acontecer, pois eles podem começar a eviscerar todos os que cometem qualquer tipo de corrupção moral: desde os motoristas que param o carro na vaga de deficientes físicos até os que fraudam a renda familiar para conseguir uma bolsa do Fies para a filha, desde os médicos que receitam determinados medicamentos em troca de benesses dos laboratórios farmacêuticos até os jornalistas que mentem sabendo que estão mentindo, desde gerentes de supermercados que recebem presentes para colocar alguns produtos em destaque nas prateleiras até programadores de rádio que tocam determinadas músicas em troca de festas com mulheres já previamente pagas.

E o pior é que os discípulos, vale repetir, não são entidades extra-humanas, portanto, não possuem o mesmo faro infalível e o mesmo talento artístico do mestre.

[ Feicibuqui, dia 14 de março de 2015 ]

“Distrito federal” no Diário da Manhã (GO)

19/03/2015

Ronaldo Cagiano

“Distrito federal” no Correio Braziliense

18/03/2015

Correio Braziliense

“Distrito federal” no blogue “Mensagens do hiperespaço”

09/03/2015

Distrito federal resenha

O pesquisador Cesar Silva, coeditor do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica, resenhou em seu blogue minha rapsódia delirante protagonizada por um curupira-ciborgue.

Do olhar minucioso do crítico não escapou nem o colofão.
Para conferir a resenha, basta clicar aqui.

“Distrito federal” resenhado por Herman Schmitz

25/02/2015

Marcianos

Herman Schmitz, autor do recém-lançado Terrassol, mantém um blogue onde resenha as principais obras da ficção científica brasileira e estrangeira.

A rapsódia Distrito federal, publicada pela editora Patuá, acaba de ser avaliada pelo resenhista de Londrina. Para conferir, basta clicar AQUI.

“Distrito federal” no Jornalirismo

05/02/2015

Jornalirismo

A jornalista e escritora Gê Martins vai para o campo de batalha e resenha corajosamente o Distrito federal no portal Jornalirismo.

O portal é tocado por gente que “busca novas formas de comunicação, informação e compreensão da realidade”.

Essa galera “quer comunicar para transformar, quer construir pontes para o diálogo entre o centro e a periferia, contra o preconceito, e deixar a marca da gente no mundo”.

Breves teorias-do-caos sobre o “Distrito federal”

28/01/2015

Capinha

Um longo poema beat-tupiniquim. Mistura de Allen Ginsberg e Mário de Andrade, com um toque de O silêncio dos inocentes. A vingança do mito sobre a objetividade: a corrupção tem raízes bem mais profundas!
[ Daniel Lopes, autor de A delicadeza dos hipopótamos ]

Mais do que uma ficção, Distrito federal é, na verdade, o documento mais contundente, a biópsia literária mais penetrante do nosso atual estado mental, estado social reativo, agressivo, perturbado, enlouquecido, excitado pelas vertigens da vida no Brasil, esse abismo que nunca chega. Com sua mistura de Câmara Cascudo com Cronemberg, de TV Senado com Chico Picadinho, de Robocop com Francis Bacon, muito bem azeitada, humorada, inspirada, Luiz Bras escancara com maestria a ira nada sagrada, a ira obscena que guia todos nós diariamente, para o colo do Último Grande Exu, o exu da Suculenta Insolência Infinita, alimentado pelas ruínas da Política, da Tecnociência, da Religião e do Humanismo. Alguma coisa cheira muito mal na atualidade. Principalmente no Brasil, abismo das ruínas encruzilhadas. Gambiarra das antropofagias. Distrito federal é um documento imprescindível.
[ Fausto Fawcett é autor de Favelost ]

Linhas de fuga em guerra de significação: Distrito federal me toma duma maneira que não comovia desde Panamérica, feito transe redivivo desse Agrippino milimetricamente estilhaçado que Luiz Bras encarna. Li numa assentada, leitura que exige repetição indefinida: um temporal incessante, não rio apascentado de leito. Inaudito como um Paris, Texas dirigido agora por Fritz Lang reinventando o zoom literário. Se a tranZmodernidade brasileira carecia dum manifesto, eis essa artesania dum nomadismo precioso. Mensurar algo que ainda deita raízes não posso, mas esse se revela o livro necessário para uma demanda de sentidos possíveis e desdobrados ao infinito do criativo.
[ Flávio Viegas Amoreira é autor de Escorbuto, cantos da costa ]

Distrito federal é uma das realizações mais ambiciosas de Luiz Bras, autor instigante e provocador, que renovou a ficção científica brasileira nos últimos anos.
[ Marcello Simão Branco, coeditor do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica ]

Distrito federal é uma obra de impressionante lucidez, um belo romance-poema que, utilizando um ritmo alucinado e imagens cortantes, destrincha a realidade política brasileira atual.
[ Márcia Barbieri, autora de A puta ]

Distrito federal é uma abdução. Luiz Bras cria um ciclo vicioso para quem lê, que mostra o ciclo vicioso de como o poder corrompe, causa danos e volta a corromper. Para o leitor é um alívio se aproximar, através das páginas, do universo de fedores e verdades que está bem abaixo do nosso nariz. O tempo vai, volta e, durante todo ele, permanece a sensação de que moral e bom-senso estão perdidos e fora do lugar. E estão.
[ Mariana Teixeira, autora de Inversos paralelos ]

Em Distrito federal, Luiz Bras dá voz a um povo cansado & triste, sem nada de heróico ou retumbante, que afinal reage, tingindo de vermelho um planalto central desenganado pela sujeira pública que nos assola e define.
[ Moacyr Godoy Moreira, autor de Soalho de tábua ]

Distrito federal expõe o detrito universal (humano) sem didatismo ou amenizações, em apurada linguagem e numa estrutura textual desconcertante. Pode-se chamar até de uma estrutura rizomática, tamanha a confluência de páginas numericamente distantes. A ausência de linearidade dá a sensação de um movimento circular que amplia a voracidade desse curupira pós-humano que se depara com os mesmos obstáculos corruptores e corrompidos em renovada alternância, nos dando a sensação de reinicio constante desse jogo destrutivo.
[ Ninil Gonçalves, autor de Absorções ]

Em Distrito federal, capa, projeto gráfico, gravuras, diagramação, estão perfeitamente ligados e integrados ao texto maravilhoso. O romance reflete a época em que vivemos, vai ao futuro, volta, e ainda assim duvidamos de suas terríveis premonições. Literatura me pareceu a única esperança. Adorei o livro.
[ Paula Bajer Fernandes, autora de Nove tiros em Chef Lidu ]

Distrito federal não se limita a replicar os ícones e os paradigmas clássicos da ficção científica. Reconfigura-os à luz das particularidades do contemporâneo e, assim, cumpre o modelar papel do gênero: fomentar uma nova maneira de ver o cambiante mundo ao nosso redor. Literariamente interessado no entrelaçar de forma e conteúdo, é um raro exemplo de narrativa longa de ficção científica no Brasil.
[ Ramiro Giroldo, autor de Ditadura do prazer: sobre ficção científica e utopia ]

A engenhosa narrativa tupinipunk de Luiz Bras agrega uma indignação de faca nos dentes à literatura do Brasil pós-Mensalão. Deveria virar tendência – e caixas do livro serem lançadas sobre Brasília.
[ Roberto de Sousa Causo, autor de Glória sombria ]

Distrito Federal é uma narrativa de ritmo alucinante e visceral.
Nem tente fugir, você será dominado pelo curupira.
Mas atenção, o Ministério da Cultura adverte: se você estiver envolvido em alguma maracutaia, não leia esse livro.
As consequências serão terríveis.
[ Victor Del Franco, autor de A fluidez da aurorA ]

Distrito federal é ao mesmo tempo raia de loucura e realidade em brasa. Não dá para se deixar levar pelo formato pouco convencional, as mensagens pulsam nas páginas o tempo todo, sem cessar, como um coração arrancado do peito, louco para fugir, encontrar caminhos diferentes daqueles já traçados. Um mergulho em códigos e mistérios que cada um vai interpretar de uma maneira.
Senti raiva, senti nojo, senti alegria, senti um chamado nesta rapsódia. É como um carro desgovernado que sabe exatamente o alvo que vai atingir. Atual, rebuscado, enfurecido, rebelde, e que se dane quem não gostar de adjetivos, teria ainda muitos mais. Distrito federal se desprende do real para descrever a nossa realidade matuta, o nosso caráter obtuso, mesmo que seja o obtuso que deseja sair do embotamento que nos atordoa pelo banho de merda e mau cheiro que se espalha.
Uma pena que o curupira não voltasse sua fúria para os pequenos corruptos também, aqueles que defendem com unhas e dentes a moral e subornam o guarda e furam a fila. Uma lástima que o curupira não tenha mirado os preconceituosos, os homofóbicos, os pedófilos, os mentirosos. Mas o castigo aos chupamerdas eleitos & corruptos lava a alma, apesar de não nos livrar da nossa responsabilidade por eles estarem onde estão.
Senti falta de uma presença maior do saci. E de outros orixás que muito bem se encaixariam no enredo: Nanã Buruquê e Omolu carregando os espíritos dos estripados seria sensacional, ou curando os obtusos; Ogun cortando cabeças, disputando com o curupira o sangue dos políticos fedorentos…
É uma colcha de retalhos psicocibernética, na qual o tempo tem importância mínima, pois tudo poderia ocorrer num segundo ou em bilhões de anos. E a vitória da natureza é o sopro da esperança depois de exterminado esse câncer que chamamos de humanidade.
Viva o curupira!
[ Petê Rissatti, autor de Réquiem: sonhos proibidos ]