Posts Tagged ‘FC brasileira’

“Distrito federal” resenhado por Tadeu Sarmento

22/12/2015

Distrito federal resenha

De toda a mitologia judaico-cristã, o personagem que mais me interessa é Lúcifer. Mas, atenção: “Lúcifer não é satã (o gênio do mal, segundo a tradição popular). Lúcifer é um eloim igual aos outros e seu próprio nome, Portador da Luz, garantiu-lhe sua indestrutível dignidade de arcanjo” (Édouard Schuré). Pois bem, estava eu admirando as magníficas gravuras de Gustave Doré para o Paraíso perdido, quando o satânico senhor Zuckerberg me avisou que o luciferino escritor Tadeu Sarmento havia publicado na revista Mallarmargens uma incendiária resenha do Distrito federal. Fui conferir e fiquei perplexo. Tadeu tacou fogo em Roma, vomitou lava em Pompeia, devorou os príncipes de Maquiavel, libertou Prometeu do monte Cáucaso, resgatou do inferno os alquimistas. Que mais posso dizer? A devastação foi total. Do mefistofélico palácio do silêncio não ficou pedra sobre pedra.

Para ler, basta clicar aqui.

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Romance juvenil interativo no Estadão

12/08/2015

Estadão

“Paraíso líquido” resenhado por Clayton de Souza

23/07/2015

ParaisoLiquido

Não são poucas as surpresas que aguardam o leitor (principalmente o mais pragmático, infenso às narrativas mais delirantes) nas páginas inusitadas de Paraíso líquido, primeiro livro de contos do escritor Luiz Bras, que alinha a literatura de especulação sobre o ser humano à mais pura ficção científica. Ao folhear atentamente essas páginas, o leitor adentrará um terreno em que convivem pacificamente Borges e Blade runner, Kafka e Neon Genesis Evangelion, ou Matrix.

Luiz Bras é um escritor aguerrido à causa dessa literatura tão pouco considerada nos meios mais sisudos de nossa alta cultura. E como leitor já tarimbado da tradição literária universal (os seguidores de sua coluna mensal no Jornal Rascunho podem atestar isso com facilidade), e não menos versado no que há de mais notório na ficção científica (Neuromancer, Eu, robô etc.), trata de operar uma alquimia consistente entre estes polos, e o resultado passa longe do irrisório.

Como exemplos, cabe a menção a contos como Aço contra osso, Memórias e Futuro presente, onde em situações transreais como uma caçada humana a um programa que assimila seres vivos, um jogo de manipulação mental envolvendo dois hackers e uma mãe e sua filha, ou uma trama que gira em torno de uma crise global envolvendo três líderes mundiais e uma compulsiva e astuta assistente, respectivamente, é desenvolvido um jogo de espelhos e identidade além de equações simétricas e fascinantes, elementos que nos enlevam na prosa borgiana, como em O jardim dos caminhos que se bifurcam.

Outro elemento recorrente são as situações que envolvem tais contos, quase sempre entre o colapso da realidade e o momento apocalíptico. Em ambos, o humano e o tecnológico se entrecruzam, e a web é a instância última da realidade, a contestá-la ou a transcendê-la, rumo a uma dimensão de conhecimento mais vasta que a mera realidade. É o labirinto em que a consciência (alterada ou não artificialmente) se vê enredada, como nos contos Nuvem de cães-cavalos, Nostalgia e Singularidade nua: o ser humano é sempre o títere do universo da informática, mesmo quando aparenta ser o manipulador consciente para quem ela, a informática, é mero instrumento de suas pretensões sub-reptícias (Memórias, Singularidade nua).

Estilisticamente, há que se ressaltar a intensa criatividade do autor, mesmo quando suas fábulas fazem menção ou nos lembram obras como O vingador do futuro, ou Blade runner. Pasma-se o leitor quando, entre um conto e outro, se depara com uma teia tão complexamente tecida, em quase nada remetendo uma à outra. Sua escrita é simples e acessível, embora imbuída de termos próprios do gênero, como nanotecnologia ou hiper-realidade. Sua habilidade na construção textual permite inclusive construir um conto, Déjá-vu, que pode ser lido de trás para frente, alterando no processo a noção temporal dos fatos.

Por fim, Paraíso líquido é desses livros que se originam de um criativo processo alquímico cujo resultado vale a pena ser conferido até pelo leitor mais recalcitrante. Suas prerrogativas sustêm a leitura, e, mais importante, fecundam a reflexão durante e após o processo.

Clayton de Souza

“Distrito federal” na revista Germina

13/04/2015

Curupira colorido

O romancista Ricardo Josua resenhou a rapsódia Distrito federal para a revista Germina, das queridas Mariza Lourenço & Silvana Guimarães.
Para ler, basta clicar aqui.

Mensagem do Ademir Assunção

08/04/2015

Curupira-ciborgue

Caro Luiz,

Desde Cidades da noite escarlate (William Burroughs) um livro não me impressionava (assustava, talvez seja um termo melhor) tanto quanto Distrito federal. Genial a maneira como você realizou a simbiose de xamanismo e alta tecnologia. O justiceiro-curupira, vingando o extermínio das forças naturais com requintes de crueldade, a narrativa ambígua (tudo leva a crer que se trata de um game sendo jogado no terreno da hiper-realidade), o narrador inteligência-artificial, enfim, toda a trama e a maneira como foi construída remetem a uma Matrix mais radical e muito mais crítica.

Mais do que um livro muito bem escrito (há longos trechos memoráveis), é um livro muito bem pensado, com uma imaginação vertiginosa. Mais que um livro bem escrito e bem pensado: uma parábola da falência de um modelo de civilização, mais do que um modelo político a ou b, com seus excessos de produção e consumo, inclusive os excessos de produção incessante de realidades. Um trecho em especial me chamou muitíssimo a atenção (entre vários outros): a iniciação da personagem Moema. A fragmentação do corpo, as partes cozinhadas no caldeirão e a recomposição do corpo, ora: isso é rito clássico de iniciação xamânica! Quem conhece os relatos vai perceber. Tenho a impressão que Roberto Piva iria uivar três dias seguidos com teu livro! Para mim, junto com Subsolo infinito e Sozinho no deserto extremo, Distrito federal forma uma trilogia perturbadora. Com uma diferença: Subsolo infinito me parece uma viagem xamânica dantesca, Sozinho no deserto extremo uma ficção científica da pesada, Distrito federal uma crítica arrasadora dos caminhos que estão se anunciando com nitidez assustadora.

Só faria um reparo: acho que poderia ter concluído a narrativa na parte Deus ex machina, usando-a mesmo como um recurso deus ex machina, encontrando um fecho ali mesmo. Pode ser que tenha me escapado algo das suas intenções, mas achei que depois dessa parte começou a se repetir um pouco. Não quero bancar o chato, o estraga-prazer, talvez seja apenas uma percepção equivocada da minha parte. De todo modo, isso não tira a força, a surpresa, o espanto com a engrenagem alucinante que é Distrito federal.

Crossroads (Furio Lonza), Nossa Teresa: vida e morte de uma santa suicida (a despeito de ter sentido falta de um desfecho melhor) e Distrito federal formam o tripé dos livros de ficção que mais me impressionaram nos últimos tempos. Três grandes obras de ficção contemporânea. Parabéns, você conseguiu. E não é a primeira vez.

Um abraço,

Ademir

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Desde que tomei contato com a poesia de Ademir Assunção, nos longínquos anos 90, esse guerrilheiro-outsider se tornou uma figura importante em meu imaginário criativo. Depois fui conhecer suas outras facetas, de jornalista e ficcionista transgressor, de performer e músico atrevido, e elas ampliaram a impressão original. Ademir faz parte do grupo reduzido de xamãs tresloucados que há duas décadas eu admiro bastante.

Então, receber desse mestre mestiço uma avaliação tão generosa (na verdade, duas avaliações, contando também a do feicibuqui, reproduzida abaixo), pra mim é o mesmo que receber um prêmio literário. Suas palavras sobre o Distrito federal e os outros dois romances bateram forte, emocionaram até.

Repito: sempre encarei o trabalho do Ademir como um dos mais relevantes e autoconscientes da cena atual. E não sou o único. Vasculhem a web. Há uma multidão de escritores e artistas de todos os escalões que admiram o cara. Ora, quando um autor do seu nível comenta espontaneamente um trabalho meu, porra, isso é ducaralho.

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O cheiro insuportável da corrupção

Uma entidade sobrenatural ocupando o corpo de um hospedeiro natural passa a executar todos os corruptos que consegue encontrar.

Para ser mais exato: um curupira, ocupando um corpo humano, ou melhor, meio humano, meio biônico.

Essa entidade tem um faro infalível para identificar os corruptos.

Seu faro está acima dos ritos jurídicos dos humanos.

Um humano é falível, pelos mais diversos motivos: um juiz do supremo tribunal federal pode absolver um notório corrupto, por erro ou por conveniência, afinal, um juiz do supremo tribunal federal também pode ser um notório corrupto; ou pode condenar um inocente, também por erro ou conveniência, afinal, um juiz corrupto do supremo tribunal federal pode condenar um inocente para encobrir os crimes dos verdadeiros corruptos, inclusive os dele.

O faro dessa entidade, não. É infalível. Ela sente o cheiro do corrupto. E o cheiro do corrupto para ela é insuportável.

Por isso ela parte para a condenação.

E a condenação é a execução sumária do corrupto.

Mas não se trata de uma execução vulgar.

A entidade é um artista. Suas execuções são verdadeiras obras de arte.

Ela eviscera os corruptos.

Com precisão cirúrgica e genialidade artística.

Ela retira os rins, o baço, a bexiga, o pâncreas, o fígado, o intestino grosso e o delgado, os olhos (tomando o cuidado de manter o nervo ótico intacto), os pulmões e o coração do corrupto. Vivo, é claro.

Ela dispõe cuidadosamente todos os órgãos e vísceras ao lado do corpo do corrupto, num arranjo excepcional, verdadeiramente artístico.

Ela faz isso com senadores, deputados, líderes de bancadas, juízes, governadores, fazendeiros, industriais, usineiros, banqueiros, autoridades militares, empresários – somente os corruptos, pois, como já se disse, seu faro é infalível. Nenhum inocente é condenado. Nenhum culpado escapa.

Esse é o jogo, o game, de Distrito federal, novo livro de Luiz Bras. Uma rapsódia genial e assustadora.

Assustadora por quê?

Porque uma gangue de imitadores, sem o mesmo faro e sem o mesmo talento artístico, passa a imitar o mestre.

E aí, não se sabe o que pode acontecer, pois eles podem começar a eviscerar todos os que cometem qualquer tipo de corrupção moral: desde os motoristas que param o carro na vaga de deficientes físicos até os que fraudam a renda familiar para conseguir uma bolsa do Fies para a filha, desde os médicos que receitam determinados medicamentos em troca de benesses dos laboratórios farmacêuticos até os jornalistas que mentem sabendo que estão mentindo, desde gerentes de supermercados que recebem presentes para colocar alguns produtos em destaque nas prateleiras até programadores de rádio que tocam determinadas músicas em troca de festas com mulheres já previamente pagas.

E o pior é que os discípulos, vale repetir, não são entidades extra-humanas, portanto, não possuem o mesmo faro infalível e o mesmo talento artístico do mestre.

[ Feicibuqui, dia 14 de março de 2015 ]

Mais um mistério em Cobra Norato

06/04/2015

Ventania brava

Em maio sairá pela Sesi-SP Editora uma nova aventura na cidade mais estranha do Brasil.

“Distrito federal” no Diário da Manhã (GO)

19/03/2015

Ronaldo Cagiano

“A última árvore” na Trasgo

13/03/2015

Trasgo

Galera, já está disponível o número 6 da revista eletrônica Trasgo. Eu participo com um conto inédito, intitulado A última árvore, ambientado numa favela apartada do resto do mundo por uma redoma. Dizem que no centro dessa favela há um labirinto. Dizem ainda que no centro desse labirinto há um grande ipê-amarelo. A última árvore do planeta.

Também concedi uma entrevista ao Rodrigo van Kampen, editor da revista. Para ler, basta clicar aqui.

“Distrito federal” no blogue “Mensagens do hiperespaço”

09/03/2015

Distrito federal resenha

O pesquisador Cesar Silva, coeditor do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica, resenhou em seu blogue minha rapsódia delirante protagonizada por um curupira-ciborgue.

Do olhar minucioso do crítico não escapou nem o colofão.
Para conferir a resenha, basta clicar aqui.

FC brasuca no Valor

06/03/2015

Valor

No jornal Valor Econômico de hoje, um ótimo artigo assinado por Rodrigo Casarin, sobre a invisibilidade da ficção científica tupiniquim.

Mensagem enviada ao jornalista, tempos atrás:

Olá, Rodrigo.
Segue um comentário geral sobre o tema de tua reportagem.
Creio que as respostas a suas perguntas estão todas aí.
Sobre os destaques brasileiros (última pergunta) dê uma olhada no artigo enviado ao Rascunho. Nele eu indico vários livros de autores contemporâneos.
Sobre as ramificações da ficção científica, veja o arquivo anexo.
Um abraço,
Luiz

Depois de duas décadas pouco interessantes, a ficção científica está voltando a viver um bom momento no Brasil.
Quarenta anos atrás, editoras de médio e grande porte publicavam não apenas os clássicos estrangeiros − Asimov, Bradbury, Clarke, Dick, Heinlein etc. − mas também os brasileiros mais talentosos.
Obras-primas de André Carneiro, Jerônymo Monteiro e Rubens Teixeira Scavone (autores da chamada Primeira Onda) foram seguidas, tempos depois, por livros igualmente preciosos de Fausto Fawcett, Braulio Tavares, Roberto de Sousa Causo, Fábio Fernandes e outros autores da Segunda Onda.
Então, algo aconteceu na virada do século. A economia esfriou, os editores perderam o interesse pelo gênero, a qualidade da produção brasileira caiu e a ficção científica passou a ser assunto apenas de fãs e fanzines.
Mas a estiagem parece estar chegando ao fim.
Com a informatização do processo de produção editorial, o custo industrial do livro caiu. Isso promoveu o nascimento de novas pequenas editoras, muitas das quais vêm publicando sistematicamente ficção científica estrangeira e brasileira, de autores da Segunda e da Terceira Onda.
Editoras de médio e grande porte também voltaram a publicar ficção científica, mas apenas a estrangeira. O caso mais bem-sucedido é o da editora Aleph, que tem investido pesado em seu catálogo de ficção científica, relançando os clássicos sem deixar de apostar nos contemporâneos.
Tanto a crítica acadêmica quanto a jornalística, salvo raríssimas exceções, ainda desprezam a ficção científica. Esse preconceito é antigo. Mas até isso está mudando.
Nas universidades tupiniquins, o número de trabalhos acadêmicos sobre obras de ficção científica aumenta ano após ano. A grande imprensa também está destinando mais espaço a resenhas e ensaios.