Posts Tagged ‘Muitas peles’

Bem-vinda crise

17/06/2013

Critica literaria comtemporanea

A crítica literária está em crise? Há muito tempo. Não podia ser diferente, podia? Se todas as manifestações culturais — da ciência à religião, passando pela arte e pela política — estão em crise aguda há pelo menos um século e meio, por que apenas a crítica literária escaparia ilesa dessa situação global?

A atual crise epistemológica, da natureza e dos limites da aquisição de conhecimento, é fruto do tão desejado equilíbrio de forças proporcionado pela democracia. Ao permitir e incentivar a multiplicação de vozes destoantes, a democracia pressupõe o conflito perpétuo de ideias. É claro que, pra quem preferia viver numa sociedade menos conflituosa, esse pode ser um detalhe deveras embaraçoso: não é possível democracia sem crise de ideias.

Acaba de ser lançada pela incansável Record a antologia Crítica literária contemporânea, organizada pelo professor Alan Flávio Viola. Os vinte textos que compõem o livro espetam a crise de modos diferentes, cada qual à sua maneira: com raiva, com carinho, pela frente, por trás. São, por isso mesmo, um retrato prazeroso e instigante do multicolorido cenário atual, de bem-vinda crise epistemológica.

Eu colaboro com o breve artigo Crítica é cara ou coroa, publicado anteriormente no jornal Rascunho e na coletânea Muitas peles.

A antologia traz ensaios também de

Alberto Pucheu
Antonio Carlos Secchin
Carlos Emílio Corrêa Lima
Carmen Cristiane Borges Losano
Ettore Finazzi-Agrò
José Carlos Pinheiro Prioste
José Castello
José Luís Jobim
Luciene Azevedo
Machado de Assis
Marco Lucchesi
Marta de Senna
Mauricio Salles Vasconcelos
Paulo Franchetti
Pedro Duarte
Renato Rezende
Ronaldo Lima Lins
Sebastião Marques Cardoso

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Um tempo de muitos espíritos

01/07/2012

Faz uma década que deixei de tentar controlar meu cotidiano delirante. Escolhi outra postura: o acaso monitorado. Antes eu tentava agarrar as pessoas e as situações, tentava mantê-las ao meu lado, mas elas sempre escapavam. Era frustrante demais. Agora eu deixo as pessoas e as situações virem e irem espontaneamente, não tento controlar o fluxo de chegadas e partidas. Tento apenas ser um pouco cuidadoso. Monitoro as imediações, procuro prevenir acidentes.

Vivendo numa nuvem de possibilidades auto-regulada, raramente escolho com antecedência o que ler, assistir ou ouvir. Poucas vezes escolho com quem falar sobre literatura, filosofia etc. Enxames de livros, filmes, músicas e interlocutores atravessam a sala e eu abraço os (aparentemente) mais interessantes. Deixo a mágica me surpreender. Às vezes a surpresa é péssima. Por isso não ando armado, não gostaria de ir pra cadeia por atirar em livros, filmes, músicas ou interlocutores ruins. Em geral a surpresa é boa.

Outras vezes a surpresa é mais do que boa. Quando é muito, muito boa — como a resenha Um tempo de muitos espíritos, publicada ontem pelo escritor Daniel Lopes na página do coletivo O Bule —, ela faz valer a pena esse cotidiano delirante, incerto, nessa nuvem de encontros aleatórios.

Delírios de um autor inventado

08/04/2012

A jornalista e escritora Katherine Funke publicou em seu blogue uma bela crônica sobre a coletânea Paraíso líquido, acompanhada por uma ótima entrevista. Essa é a segunda dobradinha crônica-entrevista da série Entrevista de Investigação. A primeira, publicada no domingo passado, foi com o escritor Renato Tardivo. Atenção ao lema do blogue: “sem pressa e sem tempo a perder”. No dia em que vocês conhecerem melhor Katherine e melhor ainda a literatura de Katherine, verão que esse lema faz todo o maravilhoso sentido.

Na revista Verbo 21

30/11/2011

Novembro vai chegando ao fim. O ano vai chegando ao fim. Coisas estranhas aconteceram. Coisas maravilhosas aconteceram. Lá longe, no fundo da web, alguém sinaliza em nossa direção. O professor e escritor Thiago Lins escreveu sobre a coletânea Muitas peles na revista on-line Verbo 21, editada pelo escritor Lima Trindade. Para ler a resenha, basta clicar aqui.

Asa Palavra

20/09/2011

Rita Braga publicou no blogue Asa Palavra – sobre livros, leituras e a busca constante pela palavra exata – uma bela resenha da coletânea Muitas peles. O título da resenha é Mundos e referências.

A grande ousadia

21/03/2011

Roberto de Sousa Causo acaba de publicar na revista on-line Terra Magazine um artigo com esse título: A grande ousadia. Qual teria sido ela, a grande ousadia? Segundo o articulista, a de denunciar na ficção mainstream das últimas décadas o cansaço fabulativo, a repetição de assuntos, e propor, como antídoto ou estimulante, uma visita exploratória a outro manancial narrativo: a ficção científica.

Causo é um dos poucos ficcionistas-teóricos preocupados em historiar o ramo criativo de sua predileção. A ojeriza à classificação histórica, que eu noto na maioria dos escritores contemporâneos, acaba promovendo o esquecimento a curto prazo. Mas talvez o objetivo inconsciente seja esse mesmo: o esquecimento, o fim da História, proposto por Hegel e Fukuyama. É sempre mais fácil e proveitoso repetir as velhas fórmulas quando ninguém está disposto a registrar, catalogar e fiscalizar.

Tendo em vista a questão literária proposta no Convite ao mainstream, Causo apresenta em sua reflexão, com muita propriedade, o contexto das questões anteriores envolvendo a FC. Questões que movimentaram na imprensa críticos do gabarito de Mário da Silva Brito, Antonio Olinto, Otto Maria Carpeaux e Wilson Martins, entre outros. Só por isso já vale a leitura.

De quebra, na seção Drops da mesma coluna, uma notícia que diz respeito ao minidebate realizado aqui, dias atrás:

FC e o Cânone Literário: O jornal inglês The Guardian discute, em artigo de Damian G. Walter, a possibilidade da ficção especulativa vir a integrar o cânone da ficção literária no futuro. O foco se concentra na atual produção inglesa de FC e fantasia, e de como ela deveria ser representada no maior prêmio literário inglês, o Booker Prize: http://www.guardian.co.uk/books/2011/feb/02/science-fiction-literary-canon

Na web

17/03/2011

Muitas peles, minha primeira coletânea de reflexões, recebeu a generosa atenção de Daniel Lopes e Tibor Moricz, o que me alegrou bastante. A resenha do Daniel pode ser lida aqui:

Um tempo de muitos espíritos

E o comentário do Tibor, aqui:

Livro é livro. Nada é tão permanente.

Em seu blogue há também uma excelente entrevista com o escritor Ivan Carlos Regina, que “em junho de 1988 lançou o Manifesto antropofágico da ficção cientifica brasileira, iniciando um movimento pela revalorização de nossa temática dentro de um universo de FC com características brasileiras”.

Daniel Lopes: um e-mail

01/03/2011

26 de fevereiro

Ei Luiz, já devorei o Muitas peles. Bom demais. Percebi no livro uma divisão em quatro frentes temáticas. A primeira, mais ligada a questões científicas e a indagações quanto ao futuro e à tecnologia. Textos: Morte e imortalidade, O infinito: um delírio?, Fim do papel, fim da poesia e Escolha um futuro. Aqui se encontram vários assuntos que tínhamos discutido no curso Cosmovisão. Tempos atrás escrevi um conto baseado no mito do eterno retorno, que você aborda tão bem em Escolha um futuro. Vai o link, caso queira dar uma olhada:

http://pianistaboxeador21.blogspot.com/2010/11/roleta.html

Na segunda leva de artigos, você trata da FC e suas relações com o mainstream, cujos textos discutimos no começo da nossa amizade. Foi bom retomá-los.

Terceira frente: aqui você trata dos problemas da literatura em geral. Para mim foi a parte mais angustiante, principalmente o texto que fala da relação entre novos escritores e editores. Pô, velho, minha situação é mesmo muito triste e ridícula. E concordo contigo em tudo o que disse em Crítica é cara ou coroa.

E a quarta frente! Ah, a quarta frente me fez chorar. São os textos que tratam da literatura infantil ou infanto-juvenil: Olha mãe, um cor voando!, Encontro com o autor-personagem (de certa maneira) e, o mais bonito, Paraíso perdido: a infância. Quando cheguei ao final do último, tive de me segurar pra não chorar. A tira mais triste do mundo é de fato a tira mais triste do mundo.

Abração,

Daniel

27 de fevereiro

Rapaz, obrigado pela leitura e pelo supercomentário ao Muitas peles. É verdade. Nós já conversamos sobre alguns temas abordados nessa coletânea. São questões que movem minha existência e minha literatura, por isso o entusiasmo em querer compartilhá-las com as pessoas.

No teu conto, Roleta, o tema da separação aparece ligado, com justeza, ao mito do eterno retorno e à noção atual da verdadeira natureza do cosmo. É um conto-lenda, doloroso e cruel. “Um cu contém o mistério do mundo. O buraco negro, como o próprio nome diz, é o cu do universo.” Verdade. Esse conto pertence à mesma esfera criativa dos filmes de meu cineasta vivo predileto: Lars von Trier.

Abraço!

Luiz