Posts Tagged ‘Oficina de criação literária’

Ateliê de criação literária na Casa Mário de Andrade: turma B

07/01/2016

Turma B

Neste momento tão crítico, de ocupações generalizadas, até mesmo a antiga casa do Mário de Andrade foi invadida. Todas as terças-feiras à noite, durante meses.
Almas penadas? Assombrações modernistas? Quase isso.
Na rua Lopes Chaves, 546, uma facção de extremistas da ficção libertária & libertina fumou o cachimbo da guerra e da paz. E da fumaça enovelada surgiu uma galeria de personagens ardilosas, um edifício excêntrico, um universo ficcional compartilhado.
Nesse convescote delirante também nasceu o coletivo ARMÁRIO DO MÁRIO: OCUPAÇÃO LITERÁRIA. Ter convivido durante tanto tempo com esses vinte e um atelienses foi uma experiência gratificante.
Mas a invasão ainda não acabou. Em janeiro e fevereiro continuaremos conspirando, agora pra ocupar tua mente, leitor. Continuaremos trabalhando na sombra, preparando em segredo a coletânea de contos que será lançada em março de 2016.

Luiz Bras

Oficina Cultural Casa Mário de Andrade

Fotos de Eliane Coster

[ O coletivo Armário do Mário: Ocupação Literária é Aldo Menezes, Antony Castro, Brontops Baruq, Cibele Nardi, Dani Alba, Dario Pato, Denise Ranieri, Diana Paz, Elaine Valeria, Eliane Coster, Estela Campos, Fernando Feitosa, Francisco da Sé, Gê Martins, Guilherme Azevedo, Lilia Guerra, Luiz Bras, Maurício Rosa, Paulo Eduardo, Pnina Bal, Tereza Ruiz e Thais Cavalcante. ]

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Universo ficcional compartilhado

30/09/2015

Mandalas

Laboratório de criação coletiva

Coordenação: Nelson de Oliveira

Uma atividade individual mas coletiva, coletiva mas individual.

A escrita literária é uma atividade solitária que aceita muito bem a participação de outros leitores-escritores. Em geral opinando criticamente, às vezes participando também do processo criativo.

A fim de promover essa participação menos comum, o laboratório reunirá quinze ficcionistas iniciantes e veteranos interessados em criar e explorar um universo ficcional compartilhado.

O que é isso?

Um universo ficcional compartilhado é um conjunto de elementos ficcionais (personagens e ambientação) que pode ser compartilhado total ou parcialmente por diversos autores.

O grupo criará coletivamente um conjunto de personagens e uma ambientação específica, que serão usados pelos participantes na produção de contos individuais (cada escritor escreverá o seu conto).

Haverá liberdade total na criação dos personagens e da ambientação.

A definição conjunta do tempo e do espaço narrativos também será livre. A ambientação poderá ser uma cidade, um bairro, um edifício ou qualquer outro local real ou imaginário, no passado, presente ou futuro.

Uma vez definidos os personagens e o universo ficcional, os autores do coletivo escreverão contos individuais, usando total ou parcialmente os elementos definidos.

Será dada ampla liberdade na elaboração do enredo e da linguagem dos contos, desde que as premissas definidas pelo grupo não sejam totalmente ignoradas. Essas premissas podem até ser subvertidas, se o contista quiser, mas não poderão ser descartadas.

No final do processo, os melhores contos serão reunidos numa coletânea impressa, com direito a sessão de autógrafos e sarau.

Público: ficcionistas iniciantes e veteranos interessados em criar coletivamente um universo ficcional.

Duração: seis meses, ao ritmo de um encontro por mês (de três horas).

Haverá também encontros informais no facebook.

Circuito São Paulo de Cultura

11/06/2015

Um beliscão na imaginação
Oficina de criatividade literária com Luiz Bras

O objetivo da oficina é estimular a imaginação e a criatividade literária dos participantes.
O encontro será dividido em duas partes: teoria e prática.
Na primeira, conversaremos sobre as particularidades dos diferentes gêneros literários: poema, conto, crônica, novela e romance.
Na segunda parte, realizaremos um exercício de desbloqueio criativo que possibilitará a produção de um bom texto curto, em prosa ou verso.

15 de junho, segunda-feira, 14h: Biblioteca Hans Christian Andersen
20 de junho, sábado, 14h: Ponto de Leitura Olido
24 de junho, quarta-feira, 14h: Biblioteca Álvaro Guerra
27 de junho, sábado, 11h: Biblioteca Clarice Lispector

Duração: duas horas

logo

Luiz Bras
Escritor e coordenador de oficinas de criação literária, é autor da rapsódia Distrito federal (Patuá), da coletânea de contos Pequena coleção de grandes horrores (Circuito) e do romance Sozinho no deserto extremo (Prumo).

“Ateliê de criação literária” na Amazon

16/02/2015

Capa Ateliê

Destinada ao poeta e ao ficcionista em início de carreira, esta coletânea de textos-aulas (incluindo exercícios) trata das questões fundamentais da criação literária: o que é poesia, crônica e conto, o tempo e o espaço na ficção, quais são os tipos de narrador e escritor etc.

Luiz Bras é escritor e coordenador de laboratórios, oficinas e ateliês de criação literária há quinze anos. Publicou diversos livros, entre eles “Distrito federal” (rapsódia, 2014), “Pequena coleção de grandes horrores” (minicontos, 2014) e “Sozinho no deserto extremo” (romance, 2012).

O Último Crítico Literário dos Universos

14/06/2014

Conheci o generoso e perspicaz Eugen Weiss faz uns dois anos, na Casa Mário de Andrade, numa de minhas oficinas. Recentemente, Eugen nos presenteou com uma reflexão no mínimo inquietante sobre o jogo da crítica, da vida, do cosmo – reflexão que agora compartilho com os milhares de leitores deste blogue.

O Último Crítico Literário dos Universos

Olam Haba, o mundo vindouro preconizado na Cabalah judaica, não faz provisão nem previsão explícita para o papel do ser humano que viveria eternamente naquele mundo. Entretanto, caminhamos para ele independentemente das construções que podemos arquitetar, tanto as utópicas como as distópicas.

Talvez a razão para a progressão inexorável para esse destino esteja na aparente imutabilidade do comportamento do ser humano, notada desde os mais antigos mitos, tanto os registrados em alguma escrita como os que residem nas tradições orais. Afinal, se deus é eterno e fomos criados à sua semelhança, essa pétrea forma é uma exigência redundante. Não cabem especulações esperançosas, o erro é inato. O conhecimento, aquele que expulsou nosso primeiro antepassado da vida edênica, continua sendo revelado em doses maiores ou menores nas obras que compõe a massa de cultura da humanidade. Desde o paleolítico, aos poucos se percebe a sombra que nos acompanha nas obras esculpidas, grafadas ou pintadas. Alguma coisa na expressão do rosto, no gesto ou na frase dita em voz baixa. Revela-se.

Ficou cada vez mais fácil de, usando a forma escrita, explicitar essa sombra, ou sombras que pressionam o comportamento humano. Expressam-se na forma de jogos. Jogos nunca inocentes, como nos faziam crer as brincadeiras das crianças, ilusão apagada pelas considerações de Freud.

Não queremos explorar o tema por este caminho que nos afasta um pouco do objetivo, mas jogos são jogos porque têm resultado previsível: ou um ganha ou o outro ganha ou resulta em empate. Empate a ser decidido numa próxima oportunidade.

O núcleo essencial do ser humano transitou através de milênios, oculto e negado. Pela intensidade desses atos de negação, a pressão para a revelação se tornou enorme, incontrolável, propiciando a Energia para afrontar o estabelecido. O Tesão dominou os atos; quaisquer atos. Os mais jovens são sensíveis e receptivos e criativos. Os não tão mais jovens se debatem, se justificam e se apegam à linguagem cuja gramática de nada mais lhes serve. Morrem, morrerão, dão lugar ao fluxo incansável e interminável de revelações e esclarecimentos. Mas continua o jogo. O Jogo. Um Cara ou Coroa. Um sofisticado Jogo de Palitinhos.

As revelações vêm em muitas formas diferentes, muitos veículos diferentes, que oferecem recursos cada vez mais poderosos. Um exemplo poderia ser o livro de Joseph Conrad, Heart of darkness. Um mundo criado, um mundo revelado, um mundo negado de atrocidades no Congo Belga, explorado viciosamente pelo rei Leopoldo II da Bélgica, que resultou na escravização e morte de dois milhões de nativos. O horror, o horror, narra o protagonista que morre ao final e ressuscita erótico, energético, nas mãos de um Marlon Brando, buda vingativo, o coronel Kurtz das selvas do Vietnã, em Apocalipse now, novamente o horror, o horror.

O que considerar, o que criticar, se o paralelismo dessas duas construções é óbvio, de resultado final idêntico. Um Jogo. Repete-se, mas apesar disso revela o que não se sabia antes. A pulsão freudiana. O que trará a próxima reencenação? Não sabemos. Isso é comum e presente nas obras humanas. Nos universos construídos em livros, estátuas, teatros, músicas, óperas, pinturas, o que for, onde for.

Neste domingo, Luis Fernando Verissimo, na sua coluna no Estadão, trouxe o Obsoleto, em palavras muito melhores que estas aqui. Verissimo mostra que, de alguma forma, nos conformamos em ser o que somos, mas involuntariamente já pré-formamos um mundo futuro para conter algum resquício de nossa herança humana.

Podemos procurar alguns desses resquícios nos fragmentos de Luiz Bras na coletânea Pequena coleção de grandes horrores. Novamente, o horror, o horror. Ali, o coronel Kurtz, reduzido a pequenos pedaços, aparece na forma de sessenta e sete sementes para a criação de sessenta e sete mundos terminais.

Naquele destino apontado por Veríssimo, os humanos serão convertidos a seja lá o que for, talvez naquilo mostrado por Luiz Bras, e então, por consequência, apenas restará você, leitor, para o papel de Último Crítico Literário dos Universos.

Eugen Weiss

11 de maio de 2014

Coleção “Oficina de Bolso”

06/05/2014

Oficina de Bolso