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Na Gazeta do Povo

09/07/2010

A nova alegria vem direto de Curitiba. Mais precisamente do maior jornal do Paraná. Ontem, dia 8 de julho (quinta-feira), o crítico e ficcionista Marcio Renato dos Santos publicou, no Caderno G da Gazeta do Povo, uma bela matéria sobre a dupla Nelson de Oliveira & Luiz Bras. O texto integral pode ser lido aqui e traz também uma resenha do Paraíso líquido e um bate-papo com o autor.

Marcio é jornalista e mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ele acompanha bem de perto a produção brasileira contemporânea, e também escreve e publica contos (exclusivamente) em jornais, revistas e sites. A literatura de agora é seu oxigênio. Seus textos podem ser lidos também no jornal Rascunho, onde Marcio exercita um tipo muito interessante de resenha, misturando realidade e ficção. São análises de livros e autores totalmente mergulhadas na metalinguagem.

No caderno Cultura do jornal Estado de Minas

05/07/2010

Daqui pra frente

O escritor Nelson de Oliveira lança livro de contos de ficção científica, assinado por sua nova persona literária, Luiz Bras

Carlos Herculano Lopes
Belo Horizonte, domingo, 4 de julho de 2010

[ Foto: Nelson de Oliveira, agora Luiz Bras, trocou a literatura urbana pela fantasia futurista ]

Depois de publicar vários romances, ensaios e livros de contos, com os quais venceu prêmios importantes, o escritor paulista Nelson de Oliveira informa que, a partir de agora, com o lançamento do volume de contos Paraíso líquido, sua primeira incursão pela ficção científica, ele passa a ser Luiz Bras, nome com o qual já assinou alguns livros infantojuvenis. “O ficcionista Nelson de Oliveira aposentou-se. A troca de identidade aconteceu naturalmente. Há algum tempo senti que a obra ficcional de Nelson estava completa, nada mais havia para ser dito. Foi quando decidi começar outra história pessoal e literária”, diz o escritor, muito mais feliz em ser Luiz Bras.

O Nelson de Oliveira original nasceu em Guaíra, no interior de São Paulo, já Luiz Bras é oriundo da provavelmente imaginária Cobra Norato, no Mato Grosso, onde teria vindo ao mundo num dia nublado. Ter mudado de nome está permitindo também poder começar do zero. “A principal mudança que senti foi na escolha temática. Agora estou escrevendo mais sobre a maneira como o ser humano está modificando o ser humano. Como a tecnologia está transformando a sociedade, para o bem e para o mal, de um modo assustador”, diz Luiz.

Se antes, na adolescência, Nelson de Oliveira tinha como autores prediletos Ray Bradbury e Isaac Asimov, mestres da ficção científica, aos poucos, com a maturidade, foi se envolvendo com outro tipo de escrita, aquela praticada por James Joyce, Clarice Lispector, Guimarães Rosa e outros nomes do cânone moderno. Havia passado, segundo ele, de um gênero literário menor para a alta literatura. “Mas há três anos vi que isso de literatura menor e maior é bobagem. E comecei a escrever, como Luiz Bras, minhas próprias histórias de ficção científica, tendo nascido a partir daí todos os contos de Paraíso líquido.”

Nelson de Oliveira, que passou a ser conhecido nacionalmente a partir da década de 1990, quando organizou a antologia de contos Os transgressores, revela ainda que a mudança de identidade está também ligada ao fato de que existem muitos autores de talento escrevendo sobre a periferia das grandes cidades, acerca dos dilemas da classe média, a respeito das guerras conjugais e do cotidiano difícil das pessoas. “Se também continuasse a escrever sobre tudo isso, seria um a mais entre as feras da literatura. Então decidi, por minha conta e risco, procurar outro assunto, e foi assim que comecei a escrever sobre a sociedade e os dilemas do futuro, com os quais Luiz Bras está se sentindo perfeitamente identificado”, diz.

Guerra e geração

Enquanto Nelson de Oliveira, que continua vivendo em São Paulo, atualmente finaliza a antologia Geração zero zero e o segundo volume da coletânea de contos Todas as guerras, Luiz Bras, feliz da vida, além de continuar na luta pela divulgação de Paraíso liquido, está mergulhado de corpo e alma na leitura de dois romances de ficção científica brasileira: Selva Brasil, de Roberto de Sousa Causo, e Os dias da peste, de Fábio Fernandes. A alta literatura, pelo visto, está mesmo sendo suplantada pela fantasia, pelo menos no que depender do autor de Paraíso liquido.

[ Capa do livro ]

Paraíso líquido
De Luiz Bras
Editora Terracota. Informações:
www.terracotaeditora.com.br